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INFÂNCIA SAUDÁVEL – DESENVOLVIMENTO E CUIDADOS DA PRIMEIRA INFÂNCIA

Precisamos garantir uma infância saudável para nossas crianças a partir de atitudes simples no dia a dia.

A dinâmica imposta pelas mudanças sociais das últimas décadas, gerou isolamento, aceleração, e adultização no cenário da infância. Hoje as crianças estão expostas às mesmas angústias e estresses que os adultos estão sujeitos e sofrem dos mesmos males físicos e psicológicos.

Podemos, enquanto pais e educadores, tomar algumas medidas práticas geradoras de bem estar visando uma infância saudável. Acompanhe o que pode ser feito.

 

PARA A ESCOLARIZAÇÃO PRECOCE, O BRINCAR  

Infância saudável

Especialistas afirmam que o aprendizado formal  é mais produtivo  a partir dos 6 anos de idade, pois é quando as crianças tem maior capacidade de lidar com ideias abstratas. Eles alertam que crianças que chegam à escola socialmente adaptadas, que sabem seguir instruções, compartilhar, e ajudar os amigos, terão mais chance de dominar a escrita, a leitura, e os números.

O tempo de brincar livre proporciona à criança o desenvolvimento de importantes habilidades – destreza corporal, escuta, interações sociais, equilíbrio emocional, etc. O brincar é um treino para amadurecimento e conquista dessas competências.

Assegure todos os dias um tempo para a criança brincar.

 

PARA O EXCESSO DO MUNDO TECNOLÓGICO,  A NATUREZA

O acesso precoce e uso abusivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância. Infelizmente hoje as crianças vivem cada vez mais em ambientes fechados e conectadas à algum aparelho tecnológico, distante do ritmo orgânico do mundo natural.

Infância saudável

Já se sabe por meio de estudos que quanto mais a criança ficar exposta à tecnologia, piores serão suas funções cognitivas, como a memória e capacidade de concentração, com prejuízos também ao desenvolvimento motor, qualidade do sono, aprendizagem, etc.

Hoje 40% das crianças brasileiras passam uma hora ou menos ao ar livre. Pesquisas pelo mundo afora revelam que mais tempo em contato com a natureza, regula hormônios, reduz a agressividade, hiperatividade e obesidade. Assim que os odores da mata adentram o organismo humano, os níveis de estresse e irritação diminuem.

Assegure todos os dias um perído para estar em contato com a natureza. 

 

Infância saudávelPARA AGENDAS LOTADAS, O ÓCIO

O tempo livre, o “ócio”,  é  a oportunidade que a criança tem de entrar em contato com seu mundo interior, estimular a fantasia, criatividade e desenvolver a concentração. O tempo em que a criança está à toa, é o momento em que está conectada com ela mesma, num processo de autoregulação, que promove equilíbrio emocional.

Muitas crianças tem suas agendas preenchidas de atividades extra curriculares todos os dias da semana. O não fazer nada para a criança é muito importante, é o período que ela faz de conta, inventa brincadeiras, cria seus brinquedos.

Assegure todos os dias um momento para a criança ficar à toa, sem nada para fazer.

 

 

PARA  A MEDICALIZAÇÃO, A IMAGINAÇÃO E A ARTE

Vivemos tempos de patologização dos comportamentos infantis. Milhares de crianças estão sendo diagnosticadas com algum tipo de transtorno. Coisas normais da vida como a timidez, a teimosia, e até mesmo a rebeldia infantil, estão sendo enquadradas como transtorno.

Com a justificativa de melhorar o desempenho escolar, as  conquistas de desenvolvimento que não acontecem no período esperado, e promover mudanças comportamentais não aceitas socialmente,  a infância vem sendo medicalizada para atender aos anseios da sociedade.

Infância saudável

Nietzsche, dizia que “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. A criança encontra na arte, uma forma de expressão do seu mundo interior e um exercício da força da imaginação, que dá colorido à realidade externa.

Incentive a imaginação e expressão da criança por meio do desenho, pintura, modelagem de massinha ou argila, colagem, etc.

Leia também: INFÂNCIA PEDE CALMA 

 

O brincar, a natureza, o ócio, a arte e a imaginação, são essenciais para a saúde da infância e desenvolvimento integral da criança.

Quem tem ouvidos para ouvir, atenda este chamado por uma infância saudável.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

O QUE É UM BOM BRINQUEDO? – INFÂNCIA E CONSUMO

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

O que é um bom brinquedo para a criança? Na qualidade de mãe, pai  ou educador, você já fez essa pergunta?

Sabia que o mercado brasileiro de brinquedos, na contramão da crise,  registrou faturamento de R$ 10,5 bilhões em 2017 – representando um crescimento de 8,5% em relação a 2016?  (Fonte: site Exame)

Na edição deste ano da Feira Internacional de Brinquedos, foram apresentados cerca de 1.500 lançamentos, entre brinquedos em geral, colecionáveis e educativos, jogos, pelúcias, artigos para festas, fantasias, etc. Somente em 2016, o mercado brasileiro contou com mais de 9.000 modelos de brinquedos.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Em comparação a outros mercados, o Brasil é um campo fértil para investimentos e crescimento. Na Europa as crianças são presenteadas com, aproximadamente, 30 brinquedos per capita no ano; nos EUA são 28 presentes, enquanto os brasileiros dão às crianças, apenas, 6 brinquedos por ano, levando em conta a média entre as aquelas que ganham e as que não. Dessa forma, somos um mercado promissor.

 

Considerando essas importantes informações, vê-se o quanto a criança é alvo de um mercado ávido pelo aumento das curvas de vendas.

E entre uma curva e outra, é nosso dever saber avaliar o que realmente é um bom brinquedo para as crianças.

Pare e pense nestas perguntas:

É preciso brinquedo prá brincar?

Existe brincadeira sem brinquedo?

O que as crianças buscam ao brincar?  

Diante de um brinquedo devemos nos perguntar: este brinquedo é capaz de mover interiormente a criança?

 

BRINCAR – MOTOR QUE MOVE A CRIANÇA

É importante compreender o brincar como um motor que move a infância. Brincar brota da alma infantil. É um processo de ativação da criança. E como todo processo, é algo vivo, que se manifesta numa sucessão de etapas e se expressa em gestos e formas maleáveis, moldáveis, permitindo a criança criar, construir, desmanchar e transformar.

As crianças tem seus próprios interesses e narrativas pessoais, estão imbuídas de desejos que necessitam de liberdade de criação e expressão. Liberdade de decidir como brincar e com o que brincar.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Imagem: Raphael Bernadelli

A criança é o centro do brincar e não o brinquedo em si. A potência encontra-se na criança e não no objeto. Sendo assim, brinquedos e brincadeiras são partes de uma construção autoral, elaborada por meio de um processo espontâneo e autêntico de cada criança.

A indústria de brinquedos despeja no mercado todos os anos exatamente o oposto ao que acontece no processo do brincar infantil. Susan Linn, psicóloga norte-americana, autora do livro  ‘Crianças do consumo: a infância roubada’, diz que “uma boa brincadeira é 90% a criança e 10% brinquedo”. Os brinquedos industrializados, os brinquedos prontos, oferecidos no mercado hoje, fazem exatamente o inverso, sobrepõem-se a potência da criança.

 

 

 

PARÂMETROS PARA AVALIAÇÃO DE UM BOM BRINQUEDO

Um bom brinquedo é aquele que permite que a criança seja ativa e não mera expectadora ou executora frente à ele.

Um bom brinquedo é aquele que propicia que a imaginação da criança voe alto, que coloca corpo e alma em movimento, que amplia as experiências sensoriais.

Um bom brinquedo é aquele que abre possibilidades de atuação da criança, seja em sua criação, construção, complementação, ou transformação.

Um bom brinquedo permite a criança sonhar e criar, imaginar e fazer. É inventado a partir do corpo e das mãos da própria criança.

A natureza da criança é curiosa. Criança gosta de investigar, explorar, descobrir, até mesmo transgredir.

Minha mãe conta que certa vez meu irmão, 2 anos mais novo que eu, ganhou um robô que se movimentava, acendia luzes e emitia sons. Não demorou muito para ela vê-lo sentado no chão martelando todo o brinquedo para descobrir o que tinha dentro dele que fazia com que ele se mexesse, fosse luminoso e emitisse sons. Faz parte da criança essa vontade de descobrir o que está por trás, dentro das coisas, saber como as coisas são feitas, como funcionam.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

É comum ouvirmos histórias de crianças que ao ganhar um brinquedo novo se interessam mais pela caixa do que pelo brinquedo. Há também relatos de crianças que brincam 5 minutinhos com o brinquedo que acabaram de ganhar e logo perdem o interesse e correm para brincar com as panelas, colheres de pau, construir cabanas, etc. Por que isso acontece?

É preciso entender o ciclo do brincar. Brincar acontece em etapas, é processo, como já mencionado no artigo Processos de vida e a infância , leia.

No filme ‘Tarja Branca’, o documentarista David Reeks em seu depoimento, fala sobre a liberdade de criação da criança,  e explica que primeiro a criança pensa em brincar com algo, ela deseja brincar de determinada forma. A partir dessa ideia, ela elabora maneiras possíveis de realizar a brincadeira, buscando reunir e compor materiais para alcançar seu objetivo. Então ela mesma constrói seu brinquedo e com o brinquedo pronto ela brinca, fechando assim o ciclo.

Rubem Alves em suas memórias de infância contadas no livro ‘Quando eu era menino’, fala que “fazer brinquedos era a parte mais divertida do brincar”.

O brinquedo pronto entregue nas mãos da criança, causa ruptura no ciclo do brincar, indo direto para a etapa final do processo. Reeks acrescenta que  “a criança pega o brinquedo industrializado e logo se desinteressa por ele, e passa prá outro, ela não se vincula ao brinquedo porque não foi ativa no processo criador”.

É preciso entender que os brinquedos prontos eliminam o elemento de criação e construção, e isso não alimenta a alma da criança. É como se ela comesse apenas carboidratos simples, que são logo digeridos pelo organismo, provocando em pouco tempo fome de novo. Isso gera um vazio na criança, uma sensação constante de insatisfação, e até mesmo frustração, levando a criança a querer e pedir sempre mais.

O brinquedo torna-se um bom brinquedo quando nutri a alma da criança e exercita sua imaginação criadora.

 

LEIA TAMBÉM: UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

 

Quanto menos estruturado e cheio de detalhes for o brinquedo, mais exigirá da criança e permitirá o uso da imaginação e criatividade. Quanto mais simples ele for, maior a liberdade da criança em transformá-lo em outra coisa de acordo com o enredo da sua brincadeira.

Brinquedos industrializados tem função específica. Normalmente são de plástico, sem cheiro, frios e lisos ao tato. São leves – possuem tamanho desproporcional ao peso, de cores  fortes e antinaturais. Características que induzem a criança a falsas sensações.

E mais, esse tipo de brinquedo, e aqui estão inclusos os brinquedos digitais, criam uma situação de passividade na criança, provocam uma atrofia psíquica, um empreguiçamento e empobrecimento da vida interior da criança.

Por fim, brinquedo bom é aquele que funciona e é movido pela energia da própria criança, por sua imaginação e capacidade criadora. É a força interior da criança que coloca em movimento objetos, que reúne materiais e compõem um todo repleto de sentido, produzindo alegria.  Essa mesma energia movimenta também o corpo da criança promovendo seu desenvolvimento e gerando saúde. 

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Te convido a olhar seu entorno e perceber a quantidade de materiais do cotidiano que podem virar brinquedos nas mãos das crianças – caixas de papelão, rolhas, caixinhas de fósforos, etc.

Te convido a observar a natureza num passeio ao parque e descobrir o lúdico ao alcance das mãos – gravetos, sementes, folhas, pedrinhas, etc, que magicamente podem se transformar em brincadeiras divertidas.

Te convido a romper paradigmas, e repensar o consumismo na infância.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

PÉS DESCALÇOS NA INFÂNCIA

Um estudo realizado pela Universidade Complutense de Madri sobre a importância de deixar os bebês com os pés descalços apontou inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil.

Educando Tudo Muda fez este infográfico para mostrar os pontos principais apresentados pelo estudo. Veja:

 Pés descalços

BENEFÍCIOS DE DEIXAR OS PÉS DESCALÇOS

Segundo a medicina chinesa, na sola dos pés estão localizados pontos que correspondem aos órgãos vitais e regiões de todo corpo – como um mapa em miniatura do organismo humano.  De pés descalços ficamos em contato direto com a energia natural da terra. Todo o corpo se ativa, desperta, e se enche de energia, promovendo o reequilíbrio do organismo.  Além disso, os pés recebem uma vigorosa massagem natural que ajuda a eliminar algumas toxinas.

É importante que desde bebês as crianças sejam incentivadas a andar descalças e caminhar por terrenos irregulares. Pela experimentação e exposição a pequenos desafios, a criança aos poucos adquire segurança. O contato total dos pés com o chão, aumenta a superfície de apoio, contribuindo para a estabilidade corporal e desenvolvimento do equilíbrio.

A musculatura dos pés e pernas são fortalecidas ao andar descalço, o que facilita os movimentos. Andar, correr, saltar, ganham mais desenvoltura.

Descalços, o sentido do tato é estimulado. Não podemos nos esquecer que o tato é tão importante nas mãos quanto nos pés. Portanto, incentive a criança a pisar em diferentes texturas – grama, folhas secas, areia, pedrinhas, lama, etc.

Quer mais benefícios? Andar descalço estimula a formação correta do arco plantar, prevenindo o chamado “pé chato”. E se você ainda não se convenceu, vai aí a última dica: pés descalços são pés mais arejados e secos, menos suados e menos propensos a infecções por fungos.

Seu filho crescerá mais feliz e saudável se você permitir que ele fique descalço por mais tempo. Então fora sapatos!

abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

Crédito 1ª foto do infográfico: Raphael Bernadelli

COMO FORMAR CRIANÇAS LEITORAS EM UMA SÓ LIÇÃO

Frequentemente os professores questionam como formar crianças leitoras. Desesperados tentam fazer com que seus alunos leiam, frequentem a biblioteca. Pais também perguntam: como fazer do meu filho um futuro leitor? Quando devo começar a ler para meu filho? Será que existe uma fórmula mágica para transformar crianças em leitores?

Em um ranking mundial de índice de leitura, o Brasil ocupa a 59ª posição dentre 70 países. Apenas 1 em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura. Uma criança que tem uma família que lê para ela, chega aos 5 anos de idade com 6.000 palavras a mais que aquela que não tem. Estes importantes dados podem ser conferidos no documentário Para gostar de Ler, que fala sobre a importância da leitura na Primeira Infância. Idealizado e produzido e por Francesco Civita, o documentário está disponível no YouTube.

Como formar crianças leitoras

Profª Débora Seabra

O momento de ler e contar histórias para a criança é um momento de intimidade, onde se consolida o vínculo afetivo, gerando equilíbrio para a criança – é o que afirma o neurocientista e psicoterapeuta Dr. João Figueiró.

Eva Furnari, escritora de livros infantis e ilustradora brasileira consagrada, diz que as histórias, os contos de fadas que foram depurados ao longo dos anos, organizam a psique. As histórias podem apontar caminhos, resolver conflitos, oferecer soluções. Ajudam na elaboração e organização de questões internas.

Ler para a criança é uma alavanca para o desenvolvimento infantil. Além de estimular um excelente hábito, estreita vínculos, melhora as relações familiares e desenvolve a inteligência. É o que mostra  uma pesquisa feita em parceria com a Universidade de Nova York, conduzida por especialistas do Instituto Alfa e Beto (SP) com 660 famílias de creches públicas de Boa Vista (RO), entre 2014 e 2015.

 

QUAL O SIGNIFICADO DA LEITURA PARA VOCÊ?

Como formar crianças leitoras

Leitura é aventura, diversão, é estímulo para a imaginação. Ler alimenta, traz alento, consolo, autoconhecimento. Pode-se ler em qualquer tempo e lugar – na sala de espera do dentista, na fila do banco, no trânsito, na cama, etc.

Ler é como estar à mesa de um bar numa conversa solta com o outro. Ler é encontro, recheado de descobertas e revisões. Ao mesmo tempo em que é mergulho em si mesmo, é contemplação de um horizonte, é sair de si e enxergar o mundo sob outra perspectiva.

Ter nas mãos o livro desejado, apreciar sua capa, espiar devagarinho as primeiras palavras, folhear as páginas em toque acariciante, respirar fundo o cheiro do papel.

Leitura é ritual sagrado. É devorar com apetite a narrativa alheia; é invasão, permitida, de privacidade com a possibilidade de complementação com as imagens próprias. É também deixar-se invadir.

Sem pudores, ao ler, destaco frases, às vezes parágrafos inteiros, sublinho palavras, como que gritando para mim verdades ocultas. Anoto sentimentos na tentativa de apreender insights.

Ler é lambuzar-se, é contaminar-se de novas ideias, é se deixar levar, transformar. As palavras são vivas e ao recorrer a um livro na prateleira amarelado pelo tempo, não sei mais distinguir os limites do território, até onde sou eu, até onde é o outro.

 

Como formar crianças leitoras

Já imaginou viver em um mundo sem livros? Ray Bradbury, autor do romance Fahrenheit 451, imaginou. Em sua obra, um clássico da literatura lançado em 1953, bombeiros são acionados para incendiar todos os livros e impedir  a disseminação do conhecimento. Ele descreve uma sociedade totalmente alienada e anestesiada pela mídia televisiva – aparelhos que ocupam paredes inteiras das casas. Conhece algo parecido? Fahrenheit 451, nos leva a refletir sobre a superficialidade da era da imagem que se impõe e se fortalece cada dia mais.

 

COMO FORMAR CRIANÇAS LEITORAS? – A FÓRMULA MÁGICA

Como formar crianças leitoras

A única maneira de formar crianças leitoras é sendo um leitor você mesmo em primeiro lugar. Sinta prazer na leitura e seu filho também sentirá. Ame os livros e ele também amará. Crie o hábito do momento da leitura na hora de ir para a cama. Não deixe essa responsabilidade inteiramente nas mãos da escola.

Leia para seu deleite e compartilhe com seus alunos. Eles também desfrutarão dessa alegria e se sentirão estimulados à leitura. Este é o segredo. Na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental I, termine o dia contando uma história para sua turma.

 

QUE LIVRO VOCÊ ESTÁ LENDO?

Como formar crianças leitoras

Lembre-se: professores não leitores não formam crianças leitoras, pais não leitores não formam filhos leitores.

Estou relendo O menino do dedo verde de Maurice Druon, publicado originalmente em 1957, mas que continua atualíssimo. Considerada uma obra inovadora por ser a primeira a tratar de ecologia. Entretanto, rico em simbologias, o livro ultrapassa os limites da ecologia para abordar temas profundos do florescimento humano.  Druon apresenta um menino que rompe os muros da escola para conhecer o mundo na prática, aprender com a vida real – a melhor escola. Recomendo a leitura.

Quer outras indicações? Deixo aqui, 5 livros que todo educador deveria ler.

Espero que você  sinta-se encorajado a encarar o desafio de formar crianças leitoras, seja você professor, mãe ou pai, avô, tio, etc. Todos podem contribuir para virar este jogo e transformar nosso país numa nação de leitores. Esta é a grande revolução – leia para uma criança.

Cadastre-se no site e seja o primeiro a receber nossas atualizações.

Boa leitura!

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

 

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA – BRINCADEIRAS COM A TERRA, ÁGUA, AR E FOGO

Um brinquedo chamado natureza

 

Um brinquedo chamado natureza. De qual brinquedo estamos falando?

Talvez você não saiba, mas o melhor brinquedo do mundo para a criança é a própria natureza – brinquedo bom, bonito e barato, acessível, ao alcance de todas as crianças.

A vida nos centros urbanos tem roubado de nós coisas que nos são caras, a liberdade da infância e o convívio familiar. Este é um convite para investirmos numa infância com menos tecnologia e mais terra, menos consumismo e mais brincadeiras ao ar livre, menos coisas e mais vivências sensoriais. Um convite para se resgatar um cotidiano mais simples e natural, sem pressa, com mais leveza, escuta e calor humano.

As vivências, explorações, descobertas e brincadeiras ao ar livre colocam a criança em contato com as forças vitais dos quatro elementos – terra, água, ar e fogo – com ciclos de vida e morte,  fluxos vivos, ritmos e processos dinâmicos, aguçando os sentidos, a imaginação e o sentimento de pertencimento, das raízes com a Terra e respeito por ela.

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

Projeto Playoutside

Cada um dos elementos permite que a criança mobilize dentro de si forças imaginativas e criadoras. Com os achados e coletas de materiais orgânicos durante uma caminhada no parque, galhos viram espadas ou varinhas de condão. Folhas e flores ora podem ser decoração de um lindo bolo, ora adorno de uma coroa na cabeça. São brinquedos da natureza.

CONHEÇA O PROJETO PLAYOUTSIDE – ALEGRIA DE BRINCAR NA NATUREZA

Esta é a magia do brincar na natureza, a mágica dos brinquedos naturais, que sem forma estruturada e função definida, permitem infinitas possibilidades, algo sempre diferente e novo. Esta é a força interior das crianças em ação. Elas subvertem materiais, criam brinquedos e inventam histórias de acordo com o enredo de suas brincadeiras.

Cada elemento tem característica  própria e sugere um tipo de brincadeira. Existem infinitas possibilidades de brincar com a terra, a água, o ar e o fogo.

 

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA – OS QUATRO ELEMENTOS

 

AS FORÇAS MAIS PROFUNDAS QUE VIVEM NO ÍNTIMO DA CRIANÇA, SÓ PODEM SER TOCADAS E AVIVADAS PELO BRINQUEDO MAIS SADIO DO MUNDO : O BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA   RUDOLF KISHNICK

 

 

TERRA

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

As brincadeiras com a terra estimulam a curiosidade infantil. A criança quer investigar e conhecer o interior das coisas, aquilo que se encontra oculto. Daí as brincadeiras de cavar buracos profundos na terra ou areia para quem sabe chegar ao outro lado do mundo.

No tanque de areia as crianças são como arquitetos de grandes construções, podem erguer pontes e castelos, assumindo a identidade de princesas e príncipes. Podem ser exímios chefes de cozinha no preparo de deliciosos bolinhos e comidinhas lindamente decoradas com folhas e flores.

 

 

ÁGUA

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

Retratos pra Yayá – Irmina Walczac

As brincadeiras com água remetem à importante memória intrauterina. Afinal trata-se do primeiro elemento com o qual a criança teve íntimo contato durante o período gestacional.

Brincar com água rapidamente vira festa, cheia de alegria. São assim as brincadeiras à beira mar ou com bacias d’água, enchendo e esvaziando baldes e potes incansavelmente.

Pisar em poças d’água ou tentar transpô-las com grandes pulos é unanimidade entre crianças de idades variadas, assim como as guerras de água, ou ainda as bolhas de sabão.

 

 

 

 

 

AR

UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

As brincadeiras com o ar colocam o corpo da criança em movimento, estimulando o correr, pular, voar, soprar, etc. Elas instigam a vontade de voar, tornando populares as capas de heróis e asas de borboletas criadas pelas crianças.

Também há os famosos aviões de papel, as pipas coloridas que riscam o céu, e até mesmo o prazeroso sopro na flor Dente-de-leão encontrada pelo caminho.

 

 

 

FOGOUM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

O fogo exerce fascínio nas crianças, suscita respeito e temor ao mesmo tempo. Diante de uma fogueira, as crianças se encantam com a dança das labaredas, com o estalar das madeiras e ao jogar gravetos nas chamas.

Brincar com a sombra também é divertimento garantido entre elas, que correm na tentativa de pisar na sombra umas das outras projetadas no chão.

 

BRINCAR É COISA SÉRIA

Brincar é o ofício e expressão natural da criança.

As formas e movimentos primordiais vivenciados por meio do brincar com os elementos naturais refletem o  profundo equilíbrio do Cosmo, que é assimilado com admiração e veneração pela criança.

A qualidade do brincar na natureza é carregada de significado e incomparável, pois  a energia viva advinda do mundo natural impregna a organização corpórea da criança e contribui para o desenvolvimento infantil saudável,  auxiliando nas defesas naturais do organismo.

LEIA TAMBÉM: 36 MOTIVOS PARA CONECTAR AS CRIANÇAS A NATUREZA

A natureza é grande mestra. Em contato com o mundo natural as crianças brincam e ao mesmo tempo aprendem e sobre tudo criam vínculo afetivo com a mãe Terra, tornando-se cuidadores do meio ambiente.

 

Um brinquedo chamado natureza

Não dê às crianças brinquedos caros, estruturados, tecnológicos. Ofereça a elas oportunidades que propiciem o exercício da imaginação, a criatividade; oportunidades de criar seus próprios brinquedos a partir do fazer do corpo, das mãos da criança, feitos com materiais da natureza e que possam ser explorados de diversas formas, que possam ser transformados naquilo que a brincadeira das crianças quiser. Dê a elas um brinquedo chamado natureza.

Infância rica em vivências sensoriais e lúdicas não precisa de brinquedos industrializados e sim de experiências por meio do brincar livre em contato com o mundo natural. Invista seu tempo enquanto pai e mãe em momentos assim.

Pense neste poema:

O menino rico

Nunca tive brinquedos.

Brinco com as conchas do mar

E com a areia da praia;

Brinco com as canoas dos coqueiros

Derrubados pelo vento;

Faço barquinhos de papel!

E minha frota navega

Nas águas da enxurrada;

Brinco com as borboletas nos dias de sol.

E nas noites de lua cheia

Visto-me com os raios de luar.

Na primavera teço coroas de flores perfumadas.

As nuvens do céu são navios, são bichos, são cidades.

Sou o menino mais rico do mundo,

Porque brinco com o Universo,

Porque brinco com o infinito.

(Maria Alceu N. S. Ilnzinger)

 

Ofereça a elas oportunidades que propiciem o exercício da imaginação, a criatividade; oportunidades de criar seus próprios brinquedos com materiais naturais que possam ser explorados de diversas formas, que possam ser transformados naquilo que a brincadeira das crianças quiser. Dê a elas um brinquedo chamado natureza.

Quer conhecer outras interessantes brincadeiras com os elementos naturais? Faça  AQUI  downloud do E-book  BRINCANDO COM OS QUATRO ELEMENTOS DA NATUREZA e bom divertimento com a garotada.

Abraço brincante

Ana Lúcia Machado

O USO DO MUNDO DIGITAL PELAS CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS

O uso do mundo digitalpelas crianças de 0 a 3 anos

O uso do mundo digital pelas crianças de 0 a 3 anos pode trazer prejuízos? A criança de 0 a 3 anos precisa das mídias digitais para se desenvolver bem? Quando uma criança deve ser exposta a mídias digitais?

Essas e outras perguntas são respondidas neste artigo pela Psicóloga, Psicanalista, Doutora em Psicologia Clínica USP-SP – Claudia Mascarenhas Fernandes, pela Professora Associada de Pediatria e Clinica de Adolescentes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Evelyn Eisenstein, e pelo Médico Neuro Pediatra da Metaclinica e Neuro Fisiologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Eduardo Jorge Custódio da Silva.

A CRIANÇA DE 0 A 3 ANOS E O MUNDO DIGITAL

Qual a idade para uma criança começar a ter acesso online a jogos, vídeos ou filmes? O smartphone pode ser considerado “brinquedo” ou ser usado como “distração”? Quais são as consequências a curto e longo prazo no desenvolvimento cerebral e mental de crianças que tem acesso às telas de televisões, computadores, notebooks ou celulares? Qual a importância do “tempo de telas” para crianças que estão na fase mais importante de seu crescimento e no início das descobertas do mundo à sua volta? Estas são algumas das questões mais urgentes de discussão entre os profissionais de saúde que cuidam de crianças e muitos pais que não sabem como se adaptar aos tempos das novas tecnologias na vida cotidiana junto com seus filhos, algo que iremos descrever neste artigo, como um início de conversa a ser aprofundada por cada um.

O uso do mundo digitalpelas crianças de 0 a 3 anos

Os três primeiros anos de vida constituem uma janela de oportunidades à promoção da saúde. É um período critico do desenvolvimento, quando observamos a fase de maior plasticidade cerebral (capacidade do sistema nervoso de se reorganizar e adaptar as redes neuronais em resposta às exigências ambientais/externas ou orgânicas/internas), ou seja, uma capacidade aumentada do cérebro em se remodelar em função das experiências da criança na descoberta do mundo à sua volta.

As funções cognitivas encontram-se localizadas nas áreas específicas do encéfalo. E para o desenvolvimento da maioria dos processos cognitivos, a interação afetiva positiva e a cooperação de neurônios nas conexões neuronais é fundamental.

No córtex cerebral é possível distinguir varias áreas de associação: Áreas pré-frontal (motora), córtex de associação parieto-temporo-occipital (sensorial), e o córtex de associação límbico (emocional).

Para que o desenvolvimento neuro-psicomotor, e nossas redes neurais se formem corretamente, o ser humano tem etapas a serem cumpridas, com os estímulos adequados a cada faixa etária. O apego positivo e a relação amorosa que a criança estabelece com a sua mãe, seu pai e sua família, ao seu redor, irmãos, tios, avós são fundamentais para o desenvolvimento do prazer nos relacionamentos futuros e a prevenção de muitos transtornos comportamentais e outras psicopatologias, mais tarde. É a formação do binômio mãe-filho e dos vínculos fundamentais para o conceito de família. Ser o “centro da atenção” com suas necessidades básicas é o aprendizado inicial da socialização, mas também das regras básicas da empatia e das respostas que surgirão às questões de convivência e sobrevivência. Por isso, insistimos na proteção familiar e social como fundamento essencial para o crescimento e desenvolvimento saudável dos primeiros anos de vida.

A psicanálise trabalha com a premissa de que “o Sujeito se constitui na sua relação ao Outro”. A psicologia perinatal trabalha com a idéia de que de 0 a 3 anos é momento da vida onde, mesmo que se queira, não se consegue separar corpo e psiquismo. A psicologia do desenvolvimento indica que até os 3 anos se espera que a criança fale na primeira pessoa, “eu”, pois está desenvolvendo a noção que não só existe, mas é uma pessoa muito importante pois quer ser reconhecida e demanda atenção total “do outro” mesmo sendo no caso uma criança. Essas três vertentes fazem levantar algumas questões sobre o uso do mundo digital pelas crianças de 0 a 3 anos.

Uma conseqüência dessa premissa inicial é que todo tipo de relação da criança com o mundo, para ser positiva e favorecer seu desenvolvimento global, precisa passar em alguma instância, pelas relações humanas que a envolvem e que começam a desenvolver com as pessoas da família com quem convive. A relação da criança com o corpo, com os objetos e com os seus semelhantes, está em todos os aspectos, sob esse envoltório maior de um mundo de desejo, de olhar, de palavra, dessa dependência inicial do humano a outro humano, e do espelho das ações dos outros à nossa volta, e que irá marcar as relações humanas, o início da sociabilização.

O USO DO MUNDO DIGITAL PELAS CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS

Algumas conseqüências da exposição de crianças de 0 a 3 anos às telas e mídias digitais:

O CORPO ESTÁ FORA DA AÇÃO

Para uma criança conhecer o mundo e portanto se desenvolver, sua motricidade precisa estar engajada nesse projeto: de modo concreto, implica deslocamentos, movimentações, coordenações sensoriais, manipulações. É a inteligência sensório-motora. Até 2 anos, a pura imagem, além de não lhe ensinar nada (pois se traduz unicamente por movimentos em frente aos seus olhos) dificulta-lhe a aprendizagem quando economiza ou evita o engajamento do corpo no projeto de conhecer o mundo, começar a movimentar o corpo, engatinhar, andar, tocar objetos e alcançar com suas pernas e braços o mundo ao redor.

O CORPO FICA SEM SENTIR

De todos os sistemas sensoriais, a visão é o sistema mais complexo. No começo da vida, o sistema visual precisa de outros sistemas sensoriais para checar, confirmar e construir as percepções multissensoriais : sensações do tato, da audição, do calor/frio, além do gosto/paladar estão em formação, no desenvolvimento cerebral e mental.

Os sons são vibrações do meio externo que se transmitem ao órgão receptor da audição (ouvido), para o processamento no sistema auditivo e cerebral, e a localização espacial do som, é a identificação no espaço da fonte sonora, o que ajuda na atenção e na memória.

A visão e audição por si só não são suficientes para o desenvolvimento completo das habilidades de: alerta e atenção; motoras, cognitivas; regulação emocional; comunicação e interação social; organização do comportamento e do movimento..

Para um Corpo sentir e o psiquismo poder representar o mundo que entra pelas sensações, é preciso que todas as sensações (visão, audição, olfato, paladar, vestibular, propriocepção, tato) sejam percebidas, organizadas e interpretadas. Se a visão e a audição, se sobrepõem às demais, haverá um processamento deficitário e que poderá desenvolver sérios problemas para integrar todas essas sensações, e portanto, dificuldades em se desenvolver de modo integral, a seguir.

A VIDA LÁ FORA

Os hábitos familiares ligados aos aspectos cotidianos como dormir, comer, passear, estão sofrendo modificações a partir do uso das mídias digitais. A cena de encontrar em restaurantes as crianças com um tablet ou celular, ambos usados como entretenimento na hora da refeição, ou mesmo sendo usados quando os pais se deslocam no transito para que a criança não tenha qualquer incômodo, são alguns exemplos do que estamos vendo atualmente.

Em relação à alimentação, sem sentir fome ou saciedade, os alimentos penetram na boca da criança sem que o gosto, o sabor, o cheiro, o olhar, as pausas, as conversas ocorram e sem desejos ou vontades, como se tudo fosse no “automático” ou com distorções de imagens dos alimentos vistos nas telas.

Passear de carro, viajar de ônibus ou mesmo ficar no carrinho de bebê, deixam de ser vivenciados quando se coloca qualquer imagem de telas à frente da criança: os deslocamentos, os barulhos, as conversas, os problemas, as chatices, as esperas, a tolerância, as relações dos comportamentos dos que estão em volta, as filas… nada disso é percebido pela criança. Ela não experimenta o que se passa nessas situações, pois está absorvida pela tela.

O que entra em jogo nestas e noutras situações é uma adulteração das relações entre demanda/necessidade/prazer/satisfação. A criança vidrada na tela durante esses acontecimentos cotidianos, faz com que não haja espaço entre a demanda e a satisfação, portanto, também para desenvolver a criatividade nesse espaço (o que faço nesse momento de espera, de tédio, de buraco?), consequentemente, nessa impossibilidade de administrar o tempo e as realidades à volta, ocorrem desequilíbrios entre as frustrações e a tolerância necessária que as relações exigem, tanto com o “outro” e consigo mesma.

O uso do mundo digitalpelas crianças de 0 a 3 anos

O BEBÊ VIDRADO

É enganoso também evocar a autoridade do cérebro para justificar o uso de computadores ou eletrônicos para o desenvolvimento de uma criança em sua primeira infância. Em seus dois primeiros anos de vida um estímulo prioritário e muito forte pode prejudicar o que se chama fenômeno de habituação, capacidade do bebê em se desvencilhar de um estímulo excessivo e que não lhe agrada (prazer/dor) ou que lhe amedronta (medo/insatisfação).

Uma das principais características do mundo digital é o seu poder de super estimulação visual em detrimento de todos os outros sentidos. A luminosidade que emana, seu super colorido e os movimentos de seus objetos e personagens, impõem à criança uma dificuldade maior também para se desligar dessa super estimulação. É a criança “vidrada”, “fascinada” que é bem diferente da criança “atenta”. A audição normalmente fica submetida a musicas em tempo binários e movimentos acelerados e bidimensionais que muito mais ajudam a criança ficar “mais vidrada”, e do modo algum se configuram como uma sonoridade que facilite a discriminação auditiva, excluindo portanto a relação com o prazer musical.

SEM DIMENSÕES ESPAÇO TEMPORAIS

A não experimentação do corpo (desde o seu rolamento aos 4 meses) e a falta da tridimensionalidade das experiências também afetarão na percepção do seu próprio corpo e na construção da imagem corporal, o que influenciará na construção das representações do tempo, espaço e de profundidade. As conseqüências podem ser, desde dificuldades de orientações espaciais até as dificuldades na aprendizagem da matemática. Ex: movimentação do corpo em blocos ou a lateralidade (a criança nas suas movimentações, não consegue separar um lado do outro lado, membros inferiores e superiores, dentre outras coisas, o que vai impactar em quase todas as suas tarefas diárias, pois toda criança é ambidestra até os 6 anos, quando irá se estabelecer a dominância do hemisfério cerebral e por isso é preciso que a criança aprenda a se movimentar e ativamente), analfabetismo corporal (a criança não consegue realizar tarefas que exigem coordenações mais elaboradas, por exemplo: calçar o sapato), inseguranças (por não experimentar as coordenações espaço temporais, a insegurança também pode aparecer de modo impeditivo, não brinca de correr, não desce uma escorregadeira, não joga bola ou futebol, prefere começar a dizer “não gosto de fazer isso”, portanto não constrói a noção espacial e temporal consequentemente, e começa a ter medo de explorar o mundo externo à sua volta.

INTERAÇÃO SEM RESPOSTA

Um bebê que olha um adulto, precisa de tempo para conseguir fazê-lo. E ele precisa olhar com cuidado nos detalhes para se relacionar, imitar, ter afetos, aprender pois trata-se de um diálogo afetivo e postural. O adulto recebe do bebê ações que o convocam quase sempre a proteger e acolher a cada vez de modo diferente, promovendo diferentes sentidos. A repetição de imagens que independam das ações do bebê prejudicam seus processos de identificações, podendo torná-lo rígido e estereotipado nas relações. Além do que, o ritmo, nas relações com as telas, quase sempre é determinado pelas telas e por seus personagens, nada que a criança faça ou sinta ou expresse com seu sorriso ou choro, modificará as reações dos personagens.

A VIDA SEM LIMITES

O uso das telas para que os adultos não precisem dar limites, dizer “não”, acompanhar e educar, tem trazido prejuízos à construção das bordas e limites corporais e também das relações com autoridade. A criança “quieta” porque está distraída, entretida ou fascinada com uma imagem, não é uma criança educada, é somente uma criança passiva em frente às telas. Da mesma maneira uma criança “agitada” é somente uma criança que está tentando chamar atenção mesmo que negativa sobre si mesma, pois essa “agitação” é também aprendida nas imagens em movimento acelerado nas telas. Não existem pausas e nem descanso para o relaxamento e as mudanças entre o que é o começo e o que é o final de qualquer tarefa das rotinas diárias (a diferença nas brincadeirinhas e nas rotinas entre o “acabou” e o “de novo”)

Desde bebê, esse tipo de uso impede que a criança apreenda e experimente quais são seus próprios limites corporais e o que não pode fazer e diferencie do que é permitido fazer.

O limite é dado artificialmente por uma entidade externa aos cuidadores importantes da criança e não existe um “NÂO” ou só existe quando o equipamento é desligado ou desconectado da “fonte de energia”, mas nenhuma criança é “on-off” como se fosse uma máquina.

UM BEBÊ SOZINHO

Os cuidadores principais, mãe, pai, avós, irmãos, familiares e as pessoas do convívio contínuo, para além dos cuidados de sobrevivência, oferecem os afetos e os significados necessários para que um bebê possa fazer as leituras e aprender a descobrir sobre o mundo à sua volta.

Sem palavras e sem intermediação do outro, as crianças “de fraldas” expostas às telas, como uma babá eletrônica ou robotizada, experimentam somente relações que passam a ser investidas por imagens impessoais, sem afeto e que como são padronizadas, serão invasivas e sempre presentes na vida da criança, sem as flexibilidades ou regulações comuns das relações humanas. É tudo ou nada (tela ligada x tela desligada).

CADÊ O CUIDADOR

Os cuidadores que ficam também ocupados diante das telas da televisão ou do smartphone, por exemplo, durante as refeições ou nos finais-de-semana, sem “prestar atenção” à criança, não compartilham, não afirmam ou mostram gosto ou desgosto com as experiências e atividades das crianças, os bebês e as crianças menores, que precisam compartilhar em busca do “assentimento” adulto, passam a “desistir” de ganhar esta atenção.

Filmagens de crianças que viram totem idealizados ou mesmo monetizados (como objetos de lucro) para serem “postadas” como fetiches ou idealizadas em sua inocência ou mesmo abusadas e exploradas sexualmente ou violentadas, muitas vezes distorcidas em imagens produzidas ou “fake” (sorrisos agora para as telas) e que perdem a espontaneidade do momento. Assistimos ao gozo com o sofrimento, que pode ir desde a indiferença aos maus tratos nos cuidados com a criança.

SEM FALTAS

Super presença das telas no cotidiano, com muitas horas “ligadas” (duração e frequência no meio de rotinas como nas horas de refeições ou antes das horas de dormir) compromete o simbólico (que é construído pelo par presença/ausência), e desenvolve a crença que o outro está sempre disponível ali na frente ou no toque dos dedos ao deslizar das telas e imagens no celular. Isolamento e redução dos laços sociais: o outro digital não me oferta nada no par amar-ser amado. (Dunkan, 2017). Importante também enfatizar o início dos problemas como os transtornos de sono, pois o tempo para dormir, descansar e acalmar não é respeitado com as telas ligadas, com ruídos altos, movimentos e cores brilhantes que nunca desligam ou são desligadas.

CONCLUINDO

O uso do mundo digital por crianças de 0 a 3 anos de idade num período fundamental de crescimento e desenvolvimento cerebral e mental é prejudicial e, portanto, não se recomenda o oferecimento de telefone celular ou smartphone como um “brinquedo” ou “distração” segundo os autores e em concordância com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP).

Leia também: INFÂNCIA DIGITAL – O PERIGO DA DESCONEXÃO COM A VIDA

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

 

ONDE INVESTIR EM 2018?

Onde investir em 2018?

 

O ano novo está aí, onde investir em 2018 diante de um cenário de tantas incertezas e turbulências? O mercado oferece várias alternativas de investimentos: ouro, ações, tesouro direto, bitcoin, etc.

Onde investir em 2018?

Entretanto há um investimento apontado por estudos recentes que mostram que investir nos primeiros anos de vida traz um alto retorno econômico e social. Como um estudo da Nova Zelândia publicado no final de 2016 que avaliou 1037 neozelandeses dos 3 aos 38 anos de idade, e que concluiu que os 20% de adultos que tiveram uma infância difícil, com restrições econômicas, descuido e negligência, foram responsáveis por 57% das internações hospitalares, 66% dos pedidos de benefícios sociais e 81% das condenações criminais.

Pesquisas revelam que o começo da vida, a Primeira Infância, tem um forte impacto na vida de um indivíduo e que o desenvolvimento saudável de uma criança, levando em conta  boa alimentação, cuidados com a saúde física e emocional, competências sociais e capacidades cognitivas, forma a base da prosperidade econômica e justiça social de uma nação.

O economista James Heckman, professor emérito na Universidade de Chicago e ganhador do Nobel de Economia no ano 2000, afirma que crianças submetidas desde cedo a bons estímulos, aumentam suas chances de ter mais sucesso na vida adulta e que investir na Primeira Infância é o caminho para o país crescer.

Entrevistado por Monica Weinberg,  da revista Veja, Dr. Heckman diz 

 

“cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer — melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano”.

 

Investir no capital humano é e sempre será o melhor investimento. A quantia gasta em educação e saúde, resultará em economia ao longo da vida, em serviço social e sistema prisional.

 

Onde investir em 2018?

Acompanhe os trechos principais da entrevista:

Por que os estímulos nos primeiros anos de vida são tão decisivos para o sucesso na idade adulta? É uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável. As primeiras impressões e experiências na vida preparam o terreno sobre o qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver mais tarde. Se essa base for frágil, as chances de sucesso cairão; se ela for sólida, vão disparar na mesma proporção. Por isso, defendo estímulos desde muito cedo.

Quão cedo? Pode parecer exagero, mas a ciência já reuniu evidências para sustentar que essa conta começa no negativo, ou seja, com o bebê ainda na barriga. A probabilidade de ele vir a ter uma vida saudável se multiplica quando a mãe é disciplinada no período pré-natal. Até os 5, 6 anos, a criança aprende em ritmo espantoso, e isso será valioso para toda a vida. Infelizmente, é uma fase que costuma ser negligenciada — famílias pobres não recebem orientação básica sobre como enfrentar o desafio de criar um bebê, faltam boas creches e pré-escolas e, sobretudo, o empurrão certo na hora certa.

Qual é o preço dessa negligência? Altíssimo. Países que não investem na primeira infância apresentam índices de criminalidade mais elevados, maiores taxas de gravidez na adolescência e de evasão no ensino médio e níveis menores de produtividade no mercado de trabalho, o que é fatal. Como economista, faço contas o tempo inteiro. Uma delas é especialmente impressionante: cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer — melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano.

Se isso é tão claro, por que a primeira infância não está na ordem do dia de quem tem a caneta na mão para decidir? Há ainda uma substancial ignorância sobre o tema. Algumas décadas atrás, a própria ciência patinava no assunto. A ideia que predominava, e até hoje pesa, é que a família deve se encarregar sozinha dos primeiros anos de vida dos filhos. A ênfase das políticas públicas é na fase que vem depois, no ensino fundamental. E assim se perde a chance de preparar a criança para essa nova etapa, justamente quando seu cérebro é mais moldável à novidade.

A classe política também evita olhar para a primeira infância por achar que esse é um investimento menos visível a curto prazo? Os políticos podem, sim, considerar isso, mas estão redondamente enganados. Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade. Para quem tem o poder de decidir, deixo aqui a provocação: não investir com inteligência nesses primeiros anos de vida é uma decisão bem pouco inteligente do ponto de vista do orçamento público. Basta usar a matemática.

 

onde investir em 2018?O que mostra a matemática? Vamos pegar o exemplo da segurança pública. Há ao menos dois caminhos para mantê-la em bom patamar. Um deles é contratar policiais, que devem zelar pelo cumprimento da lei. O outro é investir bem cedo nas crianças, para que adquiram habilidades, como um bom poder de julgamento e autocontrole, que as ajudarão a integrar-se à sociedade longe da violência. Pois a opção pela primeira infância custa até um décimo do preço. Recaímos na velha questão: prevenir ou remediar? Como se vê, é muito melhor prevenir.

Que tipo de política pública de primeira infância tem surtido mais efeito? O grande impacto positivo vem de programas que conseguem envolver famílias pobres, creches e pré-­escolas, centros de saúde e outros órgãos que, integrados, canalizam incentivos à criança — não só materiais, evidentemente. O programa americano Perry, da década de 60, é um exemplo clássico de que o investimento em uma boa pré-escola produz ótimos resultados.

Por que esse modelo é bom? Ele envolve ativamente os alunos em projetos de sala de aula, lapidando habilidades sociais e cognitivas, sob a liderança de professores altamente qualificados. A família mantém um estreito elo com a escola. Temos de ter sempre certeza de que a família está a bordo, qualquer que seja a iniciativa.

Não é irrealista esperar tanto de famílias que vivem na pobreza, como no Brasil?Um bom programa de primeira infância consegue ajudar a família inteira, fazendo chegar até ela informações, boas práticas e valores essenciais, como a importância do estudo para a superação da pobreza.

Acesse a entrevista completa aqui.

Estão todos convocados, governo, organizações, sociedade e famílias, a fazer este investimento em 2018.

Feliz ano novo!

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado