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BRINCANDO COM OS QUATRO ELEMENTOS DA NATUREZA

Brincando com os quatro elementos da natureza

 

 

Brincando com os quatro elementos da naturezaEstá disponível um lindo e-book escrito especialmente para os leitores do Educando Tudo Muda, intitulado Brincando com os  Quatro Elementos da Natureza.

Para ter acesso, basta apenas se cadastrar AQUI no site. Neste e-book destaco a importância do contato com a natureza desde os primeiros meses de vida da criança.

Quando oferecemos à criança a oportunidade de contato com os reinos da natureza, mineral, vegetal e animal, fortalecemos a verdade de que fazemos parte de um todo e pertencemos a um sistema, pois somos também natureza.

O contato com os quatro elementos, terra, água, ar e fogo, são absorvidos como forças que estão formando a criança, são vivências que serão impressas no organismo, na memória celular e que darão formas permanentes à criança; expondo a criança a fenômenos físicos materiais que expressam uma verdade espiritual, carregam em si um fundamento cósmico, permitindo que a criança penetre em processos vivos que estão em constante transformação.

Através do contato com as formas e movimentos vivos dos elementos naturais, que possuem texturas, cores, sons, aromas próprios e diferenciados, fortalecemos e nutrimos todo o organismo em formação da criança. A expressão da ideia criadora está intrínseca em cada elemento e é assimilada naturalmente pela criança ao brincar com a areia, a água, ao sentar na grama, pegar uma folha, uma flor. Cada pedra, cada concha, tem em si uma força criadora sendo expressa. Este é o mundo verdadeiro que devemos apresentar à criança.

Brincando com os quatro elementos da natureza

As brincadeiras com água viram festa rapidamente, que resultam sempre em relaxamento. Desde a vida intrauterina, o meio líquido é fundamental para o desenvolvimento humano. Nosso corpo é composto de 80% a 85% de água. A intimidade com este elemento é muito grande.

Um tanque de areia é para a criança tão importante quanto o pão. Brincar com a terra possibilita a compreensão do enraizamento, da interioridade das coisas. É a representação da vida social, através das brincadeiras de fazer comidinhas com folhas, sementes, etc.

 

O elemento ar coloca o corpo e a alma infantil em movimento. Qual criança que nunca sentiu o desejo de voar? Por isso as capas, as asas de borboletas são sucesso entre a criançada. Assim como empinar pipa, correr segurando um cata-vento, etc. Mas quem consegue colocar uma criança para dormir depois das brincadeiras com ar?

 

Brincando com os quatro elementos da natureza

E finalmente as brincadeiras com o fogo, que desafiam, mas também provocam fascínio e temor. Como nas noites de inverno, fazer uma fogueira, jogar gravetos nas chamas, observar seus estalos. Tudo isso atrai demasiadamente a atenção das crianças.

A qualidade do brincar da criança com a natureza torna-se infinitamente cheia de significado e superior, pois,  a força destes organismos vivos penetram na organização corpórea da criança e contribuem para seu desenvolvimento saudável,  auxiliando nas defesas naturais do organismo.

As formas e movimentos primordiais vivenciados através do brincar com os elementos, refletem o  profundo equilíbrio do Cosmo, que é assimilado com admiração e veneração pela criança. A esta criança não será preciso anos mais tarde despertar a consciência ecológica, ensinar o respeito à natureza, pois ela já amará a natureza como parte de si mesma.

Os primeiros sete anos de vida da criança é o período mais importante para o trabalho educativo de base. A criança se encontra totalmente confiante e aberta a assimilar o espírito do ambiente que a cerca. Há na criança uma força plástica interna em trabalho constante que é influenciada por tudo que a envolve. Todas as reações que ela apresenta a tudo que vem do meio exterior, são reações orgânicas e que vão aos poucos dando forma ao seu próprio corpo e qualidade ao organismo que está se desenvolvendo.

Como um grande órgão sensorial, a criança vive também para fora do seu corpo, ela percebe e vivencia o ambiente como uma extensão de si mesma. É por este motivo que ela tem empatia com tudo o que se encontra no ambiente, sejam seres humanos, uma pequenina formiga, as plantinhas, pedras, brinquedos, etc…Para a criança tudo tem vida e é extensão dela mesma. Alimentar os sentidos da criança com formas e substancias primitivas, com materiais naturais e vivos, que florescem, frutificam, deixando-a brincar livre em espaço amplo, aberto, ensolarado, é garantia de alegria, amor e saúde.

A escritora Lya Luft em seu livro Mar de dentro, fala claramente a este respeito ao refletir sobre suas lembranças de menina:

“Uma criança contemplando uma mancha na parede, um inseto no capim ou a revelação de uma rosa, não está apenas olhando: ela está sendo tudo isso em que se concentra. Ela é o besouro, a figura na parede, ela é a flor, o vento, o silêncio. Uma criança é a sua dimensão na qual o tempo, os contornos, texturas, aromas e sons são realidade e magia sem distinção.”

Nossa tarefa como educadores, sejamos pais ou professores, é a de proporcionar o maior número de vivências que fortaleçam as forças vitais. Como tudo em volta da criança é vivenciado por ela, devemos prestar atenção a três coisas muito importantes:

 

– qualidade nas impressões sensoriais

– possibilidade de espaço e movimento

– ambiente que inspire o brincar

 

Sob a infância pairam nuvens de encantamento, simplicidade e contentamento. As lembranças felizes da infância estão relacionadas com o calor humano e com a natureza. A criança necessita de comunhão com  a natureza para se desenvolver de maneira saudável.

Convido você a se aventurar com seus filhos e/ou alunos, explorando as possibilidades de brincadeiras com os quatro elementos da natureza. Cadastre-se no site, baixe gratuitamente o e-book Brincando com os quatro elementos da Natureza e bom divertimento. A natureza está a nossa disposição e agradece o contato e carinho.

Para terminar, deixo um belo poema para reflexão:

O menino rico

Nunca tive brinquedos.

Brinco com as conchas do mar

E com a areia da praia;

Brinco com as canoas dos coqueiros

Derrubados pelo vento;

Faço barquinhos de papel!

E minha frota navega

Nas águas da enxurrada;

Brinco com as borboletas nos dias de sol.

E nas noites de lua cheia

Visto-me com os raios de luar.

Na primavera teço coroas de flores perfumadas.

As nuvens do céu são navios, são bichos, são cidades.

Sou o menino mais rico do mundo,

Porque brinco com o Universo,

Porque brinco com o infinito.

(Maria Alceu N. S. Ilnzinger)

Abraço carinhoso,

Ana Lúcia Machado

Sua família é uma ilha?

Você alguma vez já pensou nesta pergunta? Sua família é uma ilha? É uma excelente reflexão para os pais novos. Ao longo deste artigo você vai entender a razão.

Tenho feito um trabalho de intermediadora de diálogos após sessões de exibição do filme “O começo da vida”. Tem sido uma tarefa enriquecedora e gratificante.

Para quem não conhece, este filme foi lançado em maio deste ano. É um documentário sobre a importância dos primeiros anos de vida. Filmado em 9 países, mostra famílias de diversas culturas, etnias e classes sociais, com depoimentos de crianças, mães, pais, além de entrevistas com inúmeros especialistas em desenvolvimento infantil. O filme foi produzido pela cineasta brasileira, Estela Renner. O trabalho de produção durou 3 anos. Foram 400 horas de filmagem. A diretora e sua equipe rodaram  4 continentes. O filme é belíssimo. Já assisti diversas vezes e toda vez que assisto novamente me emociono, tal a sua força , sensibilidade e delicadeza.

Sua família é uma ilha?

É uma proposta de reflexão sobre a relevância dos primeiros 6 anos de vida das crianças e o impacto deste período na formação e desenvolvimento dos potenciais que cada indivíduo poderá ser capaz de cultivar ao longo da existência. Ele nos desperta para os cuidados com a primeira infância, e reforça que as crianças são o futuro da humanidade.

Há uma passagem maravilhosa no livro “Grande Sertão Veredas“ de Guimarães Rosa que fala assim: “Uma criança nasceu. O mundo tornou a começar.” O milagre do recomeço do mundo acontece a cada novo nascimento. O mundo recomeça todas as vezes que, vencendo tantas forças contrárias, a vida sobrevive. A primeira força que a criança tem que fazer é lutar para passar pelo canal de nascimento. Esta é a 1ª jornada do herói.

Após o nascimento, a criança passa pela 2ª gestação, a gestação extra uterina e social.  Ao nascer a criança é entregue às mãos humanas, num verdadeiro útero social formado pela família, pela escola e por toda a comunidade.  A criança se forma através de relações de amor com os pais, irmãos, avós, professores, amigos, com outras crianças, com a natureza, etc… A infância é o chão sobre o qual cada ser humano constrói a sua vida. É um período curto, mas que tem uma potência enorme, que nos enriquece e perdura por toda a vida.

Sua família é uma ilha?

Uma  entrevista que me impactou bastante no filme, foi  com a médica Dra. Vera Cordeiro, fundadora da Associação Saúde Criança. Ela diz que a criança chega com tanta energia, com tanta criatividade, que a mãe só não dá conta. É necessário pai, avós, vizinhos… é necessário toda a comunidade para que a criança se desenvolva e  ela cita um provérbio africano – “É necessário uma vila para educar uma criança.”

Isto me levou a refletir sobre como é árdua a jornada de educação dos filhos e como precisamos de suporte para enfrentar tantos desafios que se impõe diante de nós ao longo dos anos de formação deles.

É muito importante quando podemos contar com a presença dos avós, tios, amigos, vizinhos. É fundamental criarmos uma rede de apoio. É reconfortante saber que temos a quem recorrer em momentos difíceis. Fica mais fácil quando temos contato com outras famílias com crianças e que podemos promover encontros e interações entre elas.

Sua família é uma ilha?

As escolas que meus filhos frequentaram tiveram papel relevante sob este aspecto ao estimular o convívio entre as famílias por meio de organização de passeios, encontros fora da escola. Vivenciamos uma grande integração entre nós, o que contribuiu para o estabelecimento de vínculos mais fortes que perduram até hoje.

As dificuldades da vida nos grandes centros urbanos de certa maneira nos levaram ao isolamento. A violência crescente gerou muita insegurança e fez com que erguêssemos muros e perdêssemos o sentido comunitário. Mas para se desenvolver, a criança precisa de círculos de amizade onde possa se expandir gradualmente. Principalmente os jovens, que a partir dos 14 anos vão se separando dos pais e conhecendo o mundo. Nesse momento a rede social criada e cultivada durantes anos, poderá funcionar como uma ponte segura na transição da adolescência. Na verdade os filhos não pertencem aos pais, eles pertencem à família toda, a comunidade local e a humanidade inteira. Por isso que refletir sobre a pergunta – Sua família é uma ilha? – é extremamente importante.

Sua família é uma ilha?

Sinto profunda gratidão por toda a rede social que me ajudou na educação dos meus filhos. Sou grata aos meus pais, irmãos, sogros, amigos, pessoas sensacionais que foram verdadeiras âncoras e que  doaram tempo e muito amor à eles.

Vale a pena nutrir esses relacionamentos! Vale a pena assistir o filme!

abraço carinhoso

Ana Lúcia

 

 

POR QUE NÃO ALFABETIZEI MEUS FILHOS ANTES DOS SETE ANOS E AS 6 CONSEQUÊNCIAS DA ALFABETIZAÇÃO PRECOCE

alfabetização precoce

Este é um relato sobre o por que não alfabetizei meus filhos antes dos sete anos e as 6 consequências da alfabetização precoce.

Tenho dois filhos. O mais velho, entrou na universidade este ano e a caçula está às vésperas de começar o ensino médio. O que me confere o distanciamento necessário para uma avaliação consciente do resultado das opções que fizemos em relação à  educação deles. Uma das opções, vou relatar aqui, por que não alfabetizei meus filhos antes dos sete anos, e apontar algumas das consequências da alfabetização precoce.

Quando o primogênito nasceu, caiu em minhas mãos um livro intitulado “Como ensinar os bebês a ler”. Como sou uma leitora contumaz, logo dei conta de conhecer o  método de alfabetização de bebês proposto nessa publicação.

Confesso que fiquei chocada e ainda depois de tantos anos, me lembro da sensação desconfortante que essa leitura me causou. No final do livro, havia textos poéticos de crianças alfabetizadas em tenra idade pelo método. Eram poemas que denotavam tal densidade, tamanha angústia nas entrelinhas, uma visão cinzenta do mundo, que me assustou e me fez perceber quão nefasta é a alfabetização precoce na vida de uma criança.

E logo entendi a verdadeira linguagem da criança pequena, e a forma como ela apreende e aprende o mundo. Quando o meu olhar e do meu bebê se encontravam, e um sorriso iluminado se abria em seu rostinho, com sons e aquele balbuciar característico dos bebês, ficou claro para mim que o ser humano é um ser brincante e que seu desenvolvimento e aprendizado está fundamentado numa linguagem lúdica.

Lembro também da minha irmã caçula, mais nova que eu 17 anos. Ela foi uma criança tão brincante! Levava tão a sério seu ofício de brincar! Passava horas e horas concentrada, criando brincadeiras, construindo seus brinquedos. Quando chegou a hora de ir para o 1º ano escolar e ser alfabetizada, seu desejo por brincar ainda era tão gritante, que minha mãe, em sua sabedoria foi até a escola e pediu para a diretora deixá-la  mais um ano na pré-escola. E assim foi que feliz da vida ela pôde amadurecer e se preparar para a alfabetização no ano seguinte, sem prejuízo algum à sua vida escolar.

consequências da alfabetização precoce

Foi observando o quanto as crianças precisam correr, pular, rolar, rodar, rir, e o quanto elas são curiosas, ávidas a explorar tudo que as cercam, que tive a certeza de que para meus filhos se desenvolverem de forma natural e saudável, o melhor a fazer seria favorecer o brincar. E desta forma optei por uma pré-escola com foco no brincar livre na natureza. O início do processo de alfabetização de ambos, só ocorreu a partir dos 7 anos, quando eles estavam prontos e maduros para as atividades intelectuais.

 

 

A NATUREZA COMO ESCOLA DA VIDA

A natureza é uma grande mestra e criança aprende brincando. O brincar é uma atividade espontânea e nata em toda criança. O brincar ensina tudo o que os pequenos precisam aprender. Paulo Freire diz: “Primeiro a criança lê o mundo para depois ler as letras.” No contato com a natureza a criança aprende o que não pode ser ensinado nem pelos pais, nem por professores. A necessidade da criança de movimento é imensa e constante, isto a leva a conhecer e explorar o mundo que a cerca.  As vivências e brincadeiras ao ar livre proporcionam  inúmeras conquistas:

-Autonomia e segurança

-Conhecimento do próprio corpo,

-Habilidades motoras, destreza e equilíbrio corporal

-Florescimento da imaginação e fantasia

-Interesse e encantamento pelo mundo

-Vitalidade e saúde

 

Olhar uma criança brincando é reaprender a dimensão do humano. Quando brinca, a criança está inteira na brincadeira. Ela brinca com todo o seu ser.

alfabetização precoce

Entretanto, o livre brincar está em declínio na sociedade contemporânea. Infelizmente a Educação Infantil está cada dia mais parecida com o Ensino Fundamental, por causa da ênfase na alfabetização. Atividades que requerem que a criança seja capaz de se sentar em uma mesa e completar uma tarefa usando lápis e papel, que antes estavam restritas às crianças de 5 e 6 anos de idade, são agora dirigidas às crianças ainda mais novas, que não têm habilidades motoras e não têm a capacidade de concentração para isso, com exigências de que devem concluir seus trabalhos e atividades, antes que possam ir brincar. O sistema escolar tradicional tem produzido crianças completamente desinteressadas pela escola.

As consequências da pressão escolar e alfabetização precoce são muito sérias e devemos estar atentos a elas:

alfabetização precoce

 

1)Desvitalização  do organismo,

2)Empobrecimento da capacidade imaginativa e criativa

3)Apatia, desinteresse pelo mundo

4) Dificuldades  nos relações sociais

5) Agressividade

6)Stress infantil

 

 

Crianças que são tolhidas na sua necessidade de brincar terão dificuldades de decodificar o mundo. Stuart Brown, psiquiatra americano, pioneiro na pesquisa sobre o brincar, em seus estudos profundos sobre histórias de vida de assassinos e alcoólatras, descobriu a ausência do brincar na vida dessas pessoas. Seus anos de prática clínica comprovam que brincar bastante na infância gera adultos felizes e bem sucedidos e a capacidade de continuar nutrindo este ser brincante que somos, nos mantém joviais e saudáveis ao longo da vida. Brincar é vital.

alfabetização precoce

Brincar, como disse Albert Einstein, é a forma mais plena de fazer ciência, de explorar e investigar as coisas.

Sei que remar contra a maré é mais difícil, mas neste caso vale a pena. Vale questionar o sistema, questionar a alfabetização precoce e defender o direito das crianças viverem a infância como deve ser, com respeito, em sua plenitude, encanto e beleza. Como tão bem versejou Fernando Pessoa,

Quando as crianças brincam

E eu as oiço brincar,

Qualquer coisa em minha alma

Começa a se alegrar.

E toda aquela infância

Que não tive me vem,

Numa onda de alegria

Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,

E quem serei visão,

Quem sou ao menos sinta

Isto no coração.

Abraço

Ana Lúcia Machado

TRANSTORNO DO DEFICIT DE NATUREZA, NÃO SABE O QUE É ?

Transtorno de Déficit de Natureza, não sabe o que é? Você vai conhecer agora:

Estatísticas mostram que 80% da população brasileira vive em cidades e que as crianças que moram nos grandes centros urbanos passam 90% do seu tempo em locais fechados, dentro de casa,  em frente da televisão, jogando vídeo games, ou nas escolas dentro de salas de aula. Quando saem com os pais vão ao shopping, restaurante ou cinema.

Transtorno de Déficit de Natureza

Ao longo dos anos, com a crescente urbanização do ser humano, espaço e tempo diminuíram. Valores da sociedade de consumo tomaram conta do tempo e lugar do brincar, do universo da criança. Com menos de 03 anos de idade, as crianças  já sabem  usar smartphones, brincam com tablets,  jogam games, mas poucas sabem amarrar os cadarços do tênis, pular cordas, subir em árvores, etc.

O uso excessivo da tecnologia na infância pode prejudicar o desenvolvimento infantil, causando dificuldade de concentração, má qualidade do sono, sedentarismo, problemas de saúde mental, atraso de aprendizagem, entre outros distúrbios, é o que muitos estudos científicos tem demonstrado.

As crianças brasileiras, segundo dados do relatório Children & Nature Network, estão entre aquelas que tem menos contato com a natureza. Doenças que passaram a ser comuns entre as crianças nos dias de hoje, tais como  transtorno de hiperatividade, déficit de atenção, depressão, pressão alta e diabetes, estão diretamente ligadas com a falta de natureza.

Um movimento mundial de retorno à natureza está se espalhando e já chegou ao Brasil, chamado Criança e Natureza. Um movimento de reconectar as crianças com ambientes ao ar livre. Um novo termo está circulando e sendo usado  por pediatras, psicólogos, educadores, trata-se da expressão  “Transtorno do Deficit de Natureza”.  Uma pesquisa recente mostrou que 40% das crianças brasileiras passam uma hora ou menos ao ar livre. Um número inexpressivo.

O que a falta de natureza somado ao estresse da vida urbana pode causar?

-obesidade infantil, associada a maus hábitos alimentares

-musculatura fraca, pela falta de atividade física

-falta de equilíbrio, pelo predomínio de pisos lisos, cimentados que oferecem pouca oportunidade de instabilidade na movimentação corporal

-deficiência de vitamina D

-aumento de incidência de miopia

-menor uso dos sentidos

-ansiedade

A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Através do olhar estabelecemos contato com a exuberância e beleza que há no mundo. A conexão com a natureza gera alegria e reverência. Traz a consciência de pertencimento, de que estamos ligados ao todo. Homem e natureza – uma coisa só.

A natureza deve ser a 1ª leitura de mundo da criança. Além de aprendizado por si só, ela é também benéfica para o desenvolvimento infantil integral e saudável. Infância e natureza estão intimamente ligadas.

A criança tem um espírito exploratório. Brincando e descobrindo a natureza, a criança aprende. E aprende de uma forma tão descontraída e prazerosa, que nem parece aprendizado. A criança precisa de experiências na natureza, este contato é muito produtivo, pacificador, restaurador para ela. A natureza provoca um equilíbrio interno, autorregulador na criança.

Transtorno de Déficit de Natureza

 

(mais…)

O MUNDO É BOM!

Reverencio essa roda que com maestria prossegue trazendo em si a força do uno, do individual e igualmente carrega o ímpeto e o poder do todo, do ligamento e da interdependência existente entre os seres. Abençoadas sejam as cirandas infantis, que como  sementes se espalham e se depositam em solo novo e fértil; adormecidas parecem nada significar, porém em tempo certo manifestam-se como poderosa fonte de vida. Abençoadas sejam as rodas formadas por meninas e meninos que compõe um colorido diversificado e harmonioso e que trazem em si o sentimento de que o mundo é bom.

Feliz a criança que em sua infância pode fazer parte de uma ciranda e entoar as cantigas de rodas que a marcará para sempre. Enquanto se formarem cirandas nos quintais das casas, nos pátios de escolas, em praças e parques; enquanto crianças derem-se as mãos em grandes ou pequenos círculos, haverá a confiança de que o mundo é bom, e a esperança de transformação do ser humano e de suas relações.

O mundo é bom

À essa ciranda devo o sentimento de valorização de minha própria existência e o de respeito ao outro. Respeito aos meus pais, meus irmãos, respeito à todos que mesmo de passagem deixaram uma marca indelével em minha história. Profundo respeito aos meus mestres que me ensinaram o mistério oculto em cada ser vivente e a nossa total interligação e interdependência na sustentação da vida. À todos esses mestres minha eterna gratidão.

Carrego em mim a ESPERANÇA de um mundo bom, justo e verdadeiro, e a responsabilidade de revelá-lo às novas gerações através desta lente. Este é nosso dever enquanto pais e educadores, este é o dever da NOVA ESCOLA, com a qual eu sonho todas as noites.

Apresentemos à criança um mundo BOM para que ela adquira autoconfiança e possa ter fé na humanidade e em suas infinitas possibilidades. Proporcionemos à elas vivências que suscitem gratidão pela VIDA. Criemos um ÚTERO EMOCIONAL para essa criança recém chegada a este mundo com o intuito de preservá-la e protegê-la durante a primeira infância até que possa caminhar com confiança.

O mundo é bom

“A infância não é uma coisa que morre em nós e seca uma vez cumprido o seu ciclo. Não é uma lembrança. É o mais vivo dos tesouros e continua a nos enriquecer sem que o saibamos.” – Franz Hellens

Abraço
Ana Lúcia Machado

Brincadeiras Infantis

Sempre tenho  vários livros na minha cabeceira.  Degusto um pouquinho aqui, outro pouquinho ali. Nunca falta a poesia, ora Fernando Pessoa, ora Adélia Prado, entre outros. Passeio por romances, crônicas, etc.  Acabo de ler  “Minha vida de menina” de Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant (1880-1970).

Tendo como pano de fundo o Brasil  pós  abolição da escravatura e proclamação da República, Helena narra seu dia-a-dia em sua cidade natal, Diamantina, entre 1893 e 1895. O livro foi publicado pela primeira vez em 1942. Através do diário da adolescente, tomamos conhecimento sobre os costumes da sociedade da época, a estrutura familiar e todo o universo que cerca essa garota, com seus conflitos, temores e sonhos.

Em 2004 o livro foi adaptado para o cinema e dirigido por Helena Solberg. Foi assim que descobri o livro. Fiz o inverso do que estou habituada a fazer: primeiro vi o filme. Gosto de criar as minhas próprias imagens para depois  me expor às imagens construídas por terceiros. Mas isso não vem ao caso.

O que pretendo compartilhar e comentar aqui, é um trecho do livro que me chamou muito a atenção. Certa vez Helena sofreu uma queda de um cavalo e machucou o joelho, o que lhe obrigou a ficar em repouso, presa dentro de casa. Com relação a este episódio, ela tece o seguinte comentário: “Como é horrível ficar presa num rancho, sabendo que há tanta coisa boa para a gente fazer! Quando eu penso que podia estar no córrego pescando ou mesmo atrás das frutas do mato, dos ninhos de passarinho, armando arapuca e tudo…” Ela continua a se lamentar e diz que só voltará  a se sentir feliz quando estiver novamente lá fora.

Passados aproximadamente 117 anos, quanta coisa mudou! Não poderia ser diferente. Mas constatar que hoje a realidade de nossas crianças é completamente oposta, causa-me espanto. Atualmente nossas crianças não sabem mais o que  fazer do lado de fora. Não apenas as crianças que vivem nos grandes centros urbanos. E  mesmo essas, em férias no campo ou na praia, não conseguem explorar todas as possibilidades que o mundo fora de casa  pode proporcionar.

Apesar de morar em São Paulo, vivi minha infância num tempo que ainda era possível brincar na rua. Andávamos de bicicleta, brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, duro ou mole, queimada, etc…tudo na rua.

A crescente violência  aos poucos fez com que levantássemos muros, nos isolássemos. Com o tempo vários fatores modificaram os brinquedos e as brincadeiras infantis. Hoje uma criança que machuque uma perna, não se importará com isso tanto quanto Helena Morley.  A criança de hoje lamentará na mesma proporção que Helena, se ferir seus olhos ou mãos.

Não se trata de saudosismo, quero apenas destacar a necessidade de equilíbrio entre o dentro e fora. Quero ressaltar também a importância da busca por uma vida mais integrada à natureza.

A tela do pintor holandês Pieter Bruegel (1525-1569)  intitulada “Brincadeiras Infantis”mostra muitas crianças brincando. Rubem Alves, poeta, filósofo brasileiro, diz que já enumerou 60 brincadeiras nesse quadro. A maioria das brincadeiras de Bruegel, são do lado de fora.

Brincadeiras Infantis
Que possamos nos inspirar e brincar!

Abraço ,
Ana Lúcia Machado