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AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA – OLHOS DE POETA

AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA - OLHOS DE POETA

Esta é uma mensagem especial aos educadores da primeira infância que fala sobre a função do olhar, sobre a qualidade dos olhos de poeta.

Leia com todos os sentidos bem atentos.

AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA – OLHOS DE POETA

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

MENSAGEM AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA - OLHOS DE POETA

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA - OLHOS DE POETA

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

 

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que

 

a primeira tarefa da educação é ensinar a ver

 

O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA - OLHOS DE POETA

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso, porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

Rubem Alves, psicanalista, educador, teólogo, escritor

Este é um grande ensinamento aos educadores da primeira infância dado por Rubem Alves, uma das vozes mais representativas do movimento da nova educação, da ruptura com um modelo educacional do século passado, que não cabe mais para os educandos das novas gerações. É preciso insistir nas concepções por ele apregoadas, pois  a mudança de paradigmas é bastante difícil – exige de nós ousadia para buscar outros caminhos e fazer diferente no dia a dia com as crianças.

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Segundo o cientista Masataka Watanabe, Ph.D. em Psicologia pela University of Tokyo, ver e enxergar são coisas bem diferentes, tanto que envolvem partes distintas do cérebro – uma parte  usamos para ver e outra para nos concentrar numa imagem. Assim,  você pode olhar para determinada coisa, mas não estar consciente dela e enxergando-a claramente.

O QUE OS SEUS OLHOS ESTÃO VENDO?

AOS EDUCADORES DA PRIMEIRA INFÂNCIA - OLHOS DE POETA

Rob-Gonsalves

 

Abra os olhos, os olhos do  coração, como aconselha Antoine de Saint Exupéry, autor do clássico O Pequeno Príncipe – “Só se vê bem com os olhos do coração”.

E assim, de olhos bem abertos, caminhe com as crianças deixando que cada investigação, cada minúcia do cotidiano, se transforme em assombro, em suspiros de encantamento e alegria. Esta é nossa tarefa, esta é a verdadeira escola que almejamos.

Aos educadores da primeira infância, meu desejo é que guardem seus olhos na caixa de brinquedos, e que desenvolvam olhos de poeta.

abraços encantados

Ana Lúcia Machado

 

 

A FUNÇÃO DO EDUCADOR – CARTA AOS EDUCADORES

A função do educador - Carta aos educadores

A função do educador – escrita por Tião Rocha, esta é uma carta aos educadores de todo o Brasil. Tião é antropólogo, educador e folclorista. Idealizador e presidente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD. Essa carta fala sobre a arte da educação, sua essência e propósito, fazendo entender que educação é algo vivo e que só ocorre no plural.

CARTA AOS EDUCADORES – A FUNÇÃO DO EDUCADOR 

A função do educador - Carta aos educadores

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: -Me ajuda a olhar!

 

A este texto primoroso, o escritor uruguaio Eduardo Galeano denomina de “A função da arte/1”, publicado em seu “O Livro dos Abraços” (1989).

Poderia ser também, ao nosso ver, chamado de “A função do pai” ou “A função do educador”.

O educador não é aquele que ensina ao aluno como é o mundo, mas o que, junto com o aluno, leva-o a descobrir e a se apropriar do mundo que ele vê com os olhos, sente com o coração, deseja com a alma, constrói com a cabeça e as mãos, e sonha com os seus sonhos. Por isso, quando uma criança ou um aluno diz “me ajuda a olhar”, ela ou ele estão, não só reconhecendo a sua necessidade de ser ajudado a olhar e ver mais longe, mas, também homenageando seu educador, parceiro e amigo, reconhecendo nele o seu saber, sua coerência, sua amizade, sua parceria.

E se um educador escuta um “-me ajuda a olhar!”, seja através da fala, dos olhos, das mãos, do corpo, do sonho, do choro, da dor ou da alegria, ele deveria sempre responder com um “-me ensina o que você viu!” Pois só assim haverá uma verdadeira educação, isto é, uma relação plural e entre iguais, de cumplicidade, conluio, apaixonadamente verdadeira.

Esta é, segundo nosso entendimento e nossa prática, a única possibilidade de se construir uma relação efetiva entre professor-e-aluno. Educação é o outro nome que se dá a esta relação que só existe e teima em se realizar no plural. É impossível existir educação no singular. Nunca! Poderá haver outra coisa, instrução ou ensino, mas nunca educação.

E, se é alguma coisa plural, a função da família é ser, acima de tudo, assim como a escola também deve (e deveria) ser sempre, o “locus” privilegiado da prática educativa, onde pai-e-filho, assim como professor-e-aluno, sejam, ao mesmo tempo, sujeitos e objetos desta construção. Uma relação entre pessoas diferentes – adultos e crianças – mas uma “relação entre iguais”, respeitosa, solidária, afetuosa e enriquecedora para ambos.

– Isto é possível? Claro que é!

Mas para que esta educação se realize em toda sua plenitude, é necessário que o professor tome a iniciativa de levar o aluno a “descobrir o mar”, a superar, juntos, as “dunas altas” e as “alturas de areia”. Porque, ao fazer isto, o educador estará re-descobrindo o mar através do olhar do aluno. E este descobrir/redescobrir o mar juntos, significa reinventá-lo, reciclá-lo, reapropriá-lo, renascê-lo. E, acreditamos que todo dia é dia de passar este mundo a limpo para que todos nós sejamos, diuturnamente, educadores e educandos do mistério e da mágica que é o viver.

Por outro lado, o “me ajuda a olhar!” tem significado, a cada dia que passa, o nosso compromisso de não deixar que nossa geração de herdeiros – filhos/alunos – vagueie perdida, abandonada e vitimizada por um mundo cada vez menos seu. Este pedido, se pode ser um abraço, também tem sido um sinal de alerta, um aviso, um tapa na cara.

Voltemos  a Eduardo Galeano, agora em sua “Celebração das contradições/2”: 

“…Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia. Nessa fé, fugitiva, eu creio. Para mim, é a única fé digna de confiança, porque é parecida com o bicho humano, fodido mas sagrado, e à louca aventura de viver no mundo” (in “O Livro dos Abraços”).

Por isso temos que ser sempre educadores, sejamos pais, filhos, professores, alunos, porque “cada promessa é uma ameaça; cada perda, um encontro. Dos medos nascem as coragens; e das dúvidas, as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possível e os delírios, outra razão.” (in “O Livro dos Abraços”)

– Me ajuda a olhar!?

-Me ensina o que você viu!?

Sejam Educadores, sempre!

Tião Rocha

LEIA TAMBÉM: UM NOVO OLHAR

Que possamos nos inspirar no exemplo desse grande ser humano e em seu trabalho como educador, e que sua carta nos ajude na verdadeira compreensão da função do educador, e ecoe  no coração de todo aquele que tem a tarefa de educar, motivando ações transformadoras para a construção de uma sociedade mais justa, ética, e próspera.

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

TOP 10 DA EDUCAÇÃO AO AR LIVRE

Top 10 da educação ao ar livre

A educação ao ar livre é ainda um grande desafio para as escolas no Brasil, por isso selecionamos 10 livros que abordam esse tema com o intuito de encorajá-las a romper paradigmas fazendo da natureza salas de aula em todo o país, desde a educação infantil , até o ensino médio. Salas de aula sem paredes, por que não?

Hoje o contato com a natureza não acontece mais de forma natural, no entanto, essa conexão é imprescindível para o desenvolvimento integral e saudável da criança. Em contato com a natureza, as crianças desenvolvem mais o equilíbrio, a coordenação e autonomia.

A educação ao ar livre traz inúmeros benefícios – melhora o desenvolvimento intelectual e a saúde física, incentiva o pensamento crítico, a inteligência emocional, o trabalho em equipe, e a capacidade de resolução de problemas.

Existem muitos estudos e pesquisas que mostram que as  crianças se beneficiam ao aprender e brincar ao ar livre. Leia no site Children and Nature Network.

O potencial educador dos espaços naturais é enorme, sem contar que é a maneira mais eficaz de estimularmos a apreciação e respeito pela natureza e todos os seres viventes, e de desenvolvermos uma compreensão de como podemos cuidar do nosso meio ambiente.

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Por que não ensinar ao ar livre? A interação e exploração dos espaços abertos trazem oportunidades educativas muito mais efetivas e perduráveis para as crianças e jovens, é o que afirma  a britânica Juliet Robertson, consultora educacional especializada em educação ao ar livre. Ela diz que todo o currículo pode ser ensinado fora da sala de aula, acredite.

 

Vamos ao Top 10 da educação ao ar livre

Top 10 da educação ao ar livre

1.Alfabetização Ecológica – A educação das crianças para um mundo sustentável

Fritjof Capra e outros

O livro reúne teoria e prática com base no que existe de mais avançado em termos de pensamento sistêmico, ecologia e educação. Pais e educadores de todas as partes do mundo interessados no desenvolvimento de novas formas de ensino e na ampliação dos conhecimentos ecológicos das crianças vão encontrar neste livro uma fonte inestimável de idéias. Reorientar o modo como os seres humanos vivem e educar as crianças para que atinjam seus potenciais mais elevados são tarefas com aspectos bem semelhantes. Ambas têm de ser vistas e abordadas no contexto dos sistemas: familiar, geográfico, ecológico e político. Nosso empenho para criar comunidades sustentáveis será em vão caso as futuras gerações não aprendam a estabelecer uma parceria com os sistemas naturais, em benefício de ambas as partes. Em outras palavras, elas terão de ser “ecologicamente alfabetizadas”.

 

Top 10 da educação ao ar livre

2.Desemparedamento da infância – A escola como lugar de encontro com a natureza

Organização  de Maria Isabel Amando de Barros

O livro apresenta experiências do Brasil e do mundo em escolas que possibilitaram que as crianças aproveitassem mais seus territórios educativos como lugares de aprendizado e de brincar livre. A publicação traz para os educadores a reflexão de que é possível contribuir para mudar a realidade atual e desemparedar a infância.

Disponível para downloud gratuitamente.

 

 

Top 10 da educação ao ar livre

3.Crianças e Natureza – Reconectar é preciso

Christiana Profice

O livro é um alerta para as graves consequências físicas e psíquicas de um cotidiano infantil sedentário e conectado a dispositivos eletrônicos. Nesta obra estão reunidos os principais resultados de pesquisas sobre o tema nacional e internacional. A conclusão a que se chega é que a reconexão entre crianças e natureza é mais do que urgente, sob o risco de aumento de distúrbios físicos e emocionais causados pela privação de interações cotidianas com os ambientes naturais, seus seres e processos. Outro efeito nefasto do afastamento entre crianças e natureza é o desinteresse das pessoas pelo mundo natural que, sem conhecê-lo, não se empenham em sua proteção, agravando, deste modo, os problemas ambientais contemporâneos. Apesar deste alerta, as pesquisas cientificas deixam claro que nem tudo está perdido e que ainda há tempo para reversão da situação, basta que devolvamos às crianças o seu direito de contato com a natureza da qual todos nós fazemos parte. A leitura deste livro por pais, educadores e mesmo por crianças e adolescentes, certamente, já vai iniciar uma mudança de pensamento acerca da importância da natureza para a humanidade e de nossa responsabilidade para com sua proteção.

 

Top 10 da educação ao ar livre

4.Educação Verde, Crianças Saudáveis – ideias práticas para incentivar o contato de meninos e meninas com a natureza

Heike Freire

Os meninos e meninas de hoje passam a maior parte do tempo em espaços fechados, sentados, assistindo à TV. Eles vivem constantemente debaixo de uma supervisão adulta obcecada por segurança e quase já não têm momentos de brincadeiras descontraídas ao ar livre. Procuramos compensar esse crescente afastamento do mundo natural com um excesso de produtos e tecnologias (bichos de pelúcia, brinquedos eletrônicos, celulares, tablets, games, etc.) que suplantam os seres da natureza. Uma realidade virtual que os afasta ainda mais da vida, reduzindo-os ao papel de espectadores e consumidores passivos. A escassez de espaço e de possibilidades de movimento, a grande quantidade de representações abstratas, sem nenhuma relação com a experiência direta das crianças, o contínuo bombardeio de estímulos (luzes, cores chamativas, ruídos, velocidade) a que são submetidos e, no geral, a falta da natureza podem ser a causa de inúmeras doenças que acometem atualmente as crianças: obesidade, desequilíbrio no biorritmo, problemas motores e de linguagem, asma, estresse, agressividade, hiperatividade, depressão. As crianças precisam da natureza. Elas se sentem espontaneamente atraídas por ambientes naturais e, quando estão em contato com eles, desenvolvem-se de uma forma mais saudável em todos os níveis: físico, emocional, mental, social e espiritual. Passar algum tempo ao ar livre, em uma interação direta com a vida, é um direito fundamental da infância que deveria ser reconhecido na nossa sociedade. Este livro foi escrito para todas as pessoas, pais e educadores, dispostas a se empenhar para atingir esse ideal.

 

Top 10 da educação ao ar livre

5.Brinquedos do Chão – A natureza, o imaginário, e o brincar

Gandhy Piorski

Este livro explora a imaginação do brincar e sua intimidade com os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar, e revela a voz livre e fluente da criança em sua trajetória de moldar a si própria, tão esquecida nos estudos sobre a infância. Assim como o brinquedo, interessam ao autor, artista plástico, teólogo, pesquisador da infância e do imaginário, a brincadeira e seu universo simbólico; a experiência da criança quando, em comunhão com a natureza e em sua vivência transcendente, brinca e significa o mundo. Fala sobre os brinquedos da terra, que caracterizam, na produção material, gestual e narrativa da infância, a investigação da matéria e as operações da imaginação no forjar a elaboração e o enraizamento dos papéis sociais na casa, na família e no mundo.

 

Top 10 da educação ao ar livre

6.A última criança na natureza – Resgatando nossas crianças do transtorno do defict de natureza

Richard Louv

Este livro apresenta uma abrangente síntese de pesquisas e também de histórias de todo o mundo que relacionam a presença da natureza na vida das crianças com seu bem-estar físico, emocional, social e acadêmico. Richard Louv cunhou pela primeira vez o termo Transtorno do Deficit de Natureza e despertou, assim, o interesse da comunidade internacional para um tema bastante atual: o impacto negativo da falta da natureza na vida das crianças, especialmente as que vivem em contextos urbanos.

 

 

 

Top 10 da educação ao ar livre7.Dedo verde na escola – Cultivando a alfabetização ecológica na educação infantil

Mônica Pilz Borba

Cultivando a alfabetização ecológica na educação infantil, remonta um processo educativo envolvendo alunos, professores e comunidade na transformação do currículo e das metodologias de duas escolas de educação infantil da rede de ensino municipal de São Paulo, ligadas ao respeito e ao cuidado da comunidade de vida, da integridade ecológica, por meio da democracia e da cultura de paz. Com metodologias inovadoras que valorizam as relações entre as pessoas e a natureza, a descoberta dos detalhes da vida e o mergulhar no conhecimento. Esta publicação é dedicada a todos os professores e educadores interessados em promover a cultura da sustentabilidade em suas escolas, potencializando a construção de valores, para quem sabe um dia tornarmo-nos uma sociedade sustentável. ¹ Terra e terra: com T maiúsculo e t minúsculo, ou seja, cuidar do macro e do micro.

 

Top 10 da educação ao ar livre

8.Educação Infantil como direito e alegria – Em busca de pedagogias ecológicas, populares e libertárias

Lea Tiriba

Como dar força aos encontros que geram alegrias? Acreditando nos desejos das crianças, apostando em sua capacidade de escolha Nas escolas, as crianças permanecem horas em espaços fechados, aprendendo a obedecer, apropriando-se de conteúdos muitas vezes distantes de seus interesses. O trabalho de Lea Tiriba aponta caminhos para uma educação comprometida com a saúde das crianças e do planeta, buscando concepções e práticas que religuem os seres humanos à natureza e digam não ao consumismo e ao desperdício. Com base em extensa pesquisa de campo e bibliográfica, a autora sugere o respeito às vontades do corpo. Desencoraja o “emparedamento” das crianças e propõe um aprendizado que reorganiza a relação entre educadores e educandos, questionando a centralidade das professoras no processo pedagógico e propiciando o surgimento de relações horizontais. Inspirando-se em pensadores libertários, como Paulo Freire, Lev Vygotsky, Félix Guatarri, Boaventura de Souza Santos, Leonardo Boff entre outros, a autora nos convida a abraçar a solidariedade planetária. Em vez de cimento, paredes e grades, uma perspectiva de futuro que permita o movimento dos corpos, para a inventividade, a livre criação, a capacidade de escolhas e os encontros que geram alegria.

 

Top 10 da educação ao ar livre

9.Vivências com a natureza – Guia de atividades para pais e educadores

Joseph Cornell

Este livro apresenta um conjunto precioso de jogos e brincadeiras que convidam os participantes, não só a se divertir nos espaços naturais, mas a construir uma verdadeira amizade com a terra, as rochas, as plantas e os animais com os quais compartilhamos o Planeta. Importantes conceitos ecológicos são abordados dentro de um contexto facilmente vivenciado e compreendido pela criança.

Os jogos e brincadeiras apresentados são universais e têm sido difundidos em todo o mundo com grande sucesso. As atividades são organizadas de acordo com a habilidade a ser desenvolvida: apreciação estética, assimilação de novos fatos, concentração, empatia, superação de medos, imaginação, memória, interação com a natureza, trabalho em grupo, confiança, desfrute do silêncio e da solidão.

Fugindo das teorizações, este livro retoma o discurso ecológico de forma prática, apresentando em detalhes atividades que podem ser realizadas em grupo, ao ar livre ou adaptadas para outros ambientes. Pequenos experimentos podem ser executados e relatados individualmente.

 

Top 10 da educação ao ar livre

10.Vivências com a natureza – Novas atividades para pais e educadores

Joseph Cornell

Aqui o autor  apresenta e explica a metodologia do Aprendizado Seqüencial.O emprego dessa metodologia potencializa o trabalho do educador: as atividades deixam de ter um fim em si mesmas para compor um processo por meio do qual o aprofundamento da percepção, que requer o aquietar da mente e a abertura para a afetividade, é conseguido – proporcionando experiências fascinantes com a Natureza, tanto para os participantes como para os professores.

Este método tem sido empregado com enorme sucesso tanto por professores com seus alunos, como em programas de formação de professores, em que o desenvolvimento pessoal é aliado à aquisição de ferramentas pedagógicas modernas.

 

Para adquirir qualquer uma das publicações indicadas, basta clicar no título desejado para efetuar sua compra pelo site da Amazon. Aproveite, muitos livros estão com ótimos descontos.

Feliz ano novo, desejo que você leia mais em 2019 e principalmente que sinta-se motivado a romper as paredes das salas de aula com os alunos e praticar a educação ao ar livre.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

INFÂNCIA SEM CONSUMISMO – IDEIAS PARA UM MUNDO SUSTENTÁVEL

É possível preservar a criança e viver uma infância sem consumismo?

Vivemos a Era do compartilhamento, um tempo em que a posse torna-se menos importante que o acesso. O compartilhamento de bens de consumo e serviços tem se popularizado e causado transformações sociais e econômicas.

A Geração X e a Geração do Milênio sentem-se atraídas pela ideia de compartilhar bens, serviços e experiências em comunidades colaborativas, é o que mostra um estudo realizado em 2012 pela Campbell Mithun, uma agência de publicidade de Minneapolis e a Carbonview Research.

Jovens ao redor do mundo tem contribuído para a queda do número de veículos próprios por dar preferência ao acesso ao automóvel ao invés da posse. Atitudes como essas denotam uma mudança de paradigma que aos poucos ganham outras esferas, segmentos e perfis sociais.

Infância sem consumismoEntretanto, ao analisar dados do mercado brasileiro de brinquedos, constata-se que este setor vem crescendo ano após ano,  mesmo em situação de crise econômica. Em 2017 teve um faturamento de R$ 10,5 bilhões, representando um crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior.  (Fonte: site Exame)

Somente em 2016, o mercado brasileiro contou com mais de 9.000 modelos de brinquedos. Na edição deste ano da Feira Internacional de Brinquedos, foram apresentados cerca de 1.500 lançamentos, entre brinquedos em geral, colecionáveis e educativos, jogos, pelúcias, artigos para festas, fantasias, etc.

Isto significa que a criança é alvo de um mercado ávido pelo aumento de vendas, com grandes investimentos em campanhas de marketing e propaganda para fisgar a atenção das crianças.

 

Infância sem consumismoAí vem a pergunta: é possível estimular o compartilhamento entre as crianças?

A partir de 1 aninho, a criança começa a expressar sua dificuldade em dividir, seja a atenção e carinho da mãe, até objetos pessoais. Somente por volta dos 6 anos, é que ela desenvolverá a capacidade de compartilhar, tornando-se cada vez  mais sociável.

Como podemos incentivar o compartilhamento e vislumbrar uma infância sem consumismo?

Algumas ideias simples, podem aos poucos provocando novas atitudes e cultivando novos hábitos.

 

INFÂNCIA SEM CONSUMISMO

Acompanhe esta história:

No ano passado fui tomada pela ideia de comprar de presente de Natal para meus 8 sobrinhos pequenos, um único presente, um presente que pudesse ser compartilhado entre eles –  um brinquedo coletivo.

Depois de pensar e pesquisar, cheguei ao presente ideal: um quebra-cabeça de madeira. Escolhi o quebra-cabeça da história da Arca de Noé e acrescentei ao pacote um livro sobre a mesma história

Na noite de Natal reuni a minha volta todos os sobrinhos para a entrega do presente.  De frente àqueles olhinhos brilhantes, disse  que aquele brinquedo era de todos eles e fui citando cada nome.

Expliquei que por ser de todos,  o brinquedo coletivo ficaria um pouco na casa de cada um e que eles deveriam ter muito cuidado para conservar o brinquedo afim de que nenhuma peça se perdesse.

Disse ainda que pedissem ao papai e a mamãe para brincarem junto com eles, ajudando-os na montagem do quebra-cabeça e lendo o livro. E ao final da noite, sorteamos uma criança para levar o brinquedo coletivo para casa. O brinquedo coletivo foi um sucesso entre as crianças.

Gostou da ideia? Acha difícil fazer isso na sua família?

 

OUTRAS IDEIAS PARA UM MUNDO SUSTENTÁVEL

Infância sem consumismo -Participar das feiras de trocas de brinquedos que acontecem ao longo do ano

-Incentivar o empréstimo de brinquedos entre os amiguinhos da escola e entre primos

-Organizar um mercado das pulgas com os brinquedos que não são mais usados entre as crianças da vizinhança

As crianças estão abertas a um mundo colaborativo, um mundo onde o “é nosso” tem mais valor do que o “é meu”, acredite.

Ao sair às compras de Natal, pense nisto:

“O mundo que vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que vamos deixar para o nosso mundo”. – Mário Sérgio Cortella

E para este Natal já tenho outra ideia interessante que contarei aqui depois. Fique ligado.

Feliz Natal!

Ana Lúcia Machado

 

 

 

INFÂNCIA SAUDÁVEL – DESENVOLVIMENTO E CUIDADOS DA PRIMEIRA INFÂNCIA

Precisamos garantir uma infância saudável para nossas crianças a partir de atitudes simples no dia a dia.

A dinâmica imposta pelas mudanças sociais das últimas décadas, gerou isolamento, aceleração, e adultização no cenário da infância. Hoje as crianças estão expostas às mesmas angústias e estresses que os adultos estão sujeitos e sofrem dos mesmos males físicos e psicológicos.

Podemos, enquanto pais e educadores, tomar algumas medidas práticas geradoras de bem estar visando uma infância saudável. Acompanhe o que pode ser feito.

 

PARA A ESCOLARIZAÇÃO PRECOCE, O BRINCAR  

Infância saudável

Especialistas afirmam que o aprendizado formal  é mais produtivo  a partir dos 6 anos de idade, pois é quando as crianças tem maior capacidade de lidar com ideias abstratas. Eles alertam que crianças que chegam à escola socialmente adaptadas, que sabem seguir instruções, compartilhar, e ajudar os amigos, terão mais chance de dominar a escrita, a leitura, e os números.

O tempo de brincar livre proporciona à criança o desenvolvimento de importantes habilidades – destreza corporal, escuta, interações sociais, equilíbrio emocional, etc. O brincar é um treino para amadurecimento e conquista dessas competências.

Assegure todos os dias um tempo para a criança brincar.

 

PARA O EXCESSO DO MUNDO TECNOLÓGICO,  A NATUREZA

O acesso precoce e uso abusivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância. Infelizmente hoje as crianças vivem cada vez mais em ambientes fechados e conectadas à algum aparelho tecnológico, distante do ritmo orgânico do mundo natural.

Infância saudável

Já se sabe por meio de estudos que quanto mais a criança ficar exposta à tecnologia, piores serão suas funções cognitivas, como a memória e capacidade de concentração, com prejuízos também ao desenvolvimento motor, qualidade do sono, aprendizagem, etc.

Hoje 40% das crianças brasileiras passam uma hora ou menos ao ar livre. Pesquisas pelo mundo afora revelam que mais tempo em contato com a natureza, regula hormônios, reduz a agressividade, hiperatividade e obesidade. Assim que os odores da mata adentram o organismo humano, os níveis de estresse e irritação diminuem.

Assegure todos os dias um perído para estar em contato com a natureza. 

 

Infância saudávelPARA AGENDAS LOTADAS, O ÓCIO

O tempo livre, o “ócio”,  é  a oportunidade que a criança tem de entrar em contato com seu mundo interior, estimular a fantasia, criatividade e desenvolver a concentração. O tempo em que a criança está à toa, é o momento em que está conectada com ela mesma, num processo de autoregulação, que promove equilíbrio emocional.

Muitas crianças tem suas agendas preenchidas de atividades extra curriculares todos os dias da semana. O não fazer nada para a criança é muito importante, é o período que ela faz de conta, inventa brincadeiras, cria seus brinquedos.

Assegure todos os dias um momento para a criança ficar à toa, sem nada para fazer.

 

 

PARA  A MEDICALIZAÇÃO, A IMAGINAÇÃO E A ARTE

Vivemos tempos de patologização dos comportamentos infantis. Milhares de crianças estão sendo diagnosticadas com algum tipo de transtorno. Coisas normais da vida como a timidez, a teimosia, e até mesmo a rebeldia infantil, estão sendo enquadradas como transtorno.

Com a justificativa de melhorar o desempenho escolar, as  conquistas de desenvolvimento que não acontecem no período esperado, e promover mudanças comportamentais não aceitas socialmente,  a infância vem sendo medicalizada para atender aos anseios da sociedade.

Infância saudável

Nietzsche, dizia que “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. A criança encontra na arte, uma forma de expressão do seu mundo interior e um exercício da força da imaginação, que dá colorido à realidade externa.

Incentive a imaginação e expressão da criança por meio do desenho, pintura, modelagem de massinha ou argila, colagem, etc.

Leia também: INFÂNCIA PEDE CALMA 

 

O brincar, a natureza, o ócio, a arte e a imaginação, são essenciais para a saúde da infância e desenvolvimento integral da criança.

Quem tem ouvidos para ouvir, atenda este chamado por uma infância saudável.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

O QUE É UM BOM BRINQUEDO? – INFÂNCIA E CONSUMO

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

O que é um bom brinquedo para a criança? Na qualidade de mãe, pai  ou educador, você já fez essa pergunta?

Sabia que o mercado brasileiro de brinquedos, na contramão da crise,  registrou faturamento de R$ 10,5 bilhões em 2017 – representando um crescimento de 8,5% em relação a 2016?  (Fonte: site Exame)

Na edição deste ano da Feira Internacional de Brinquedos, foram apresentados cerca de 1.500 lançamentos, entre brinquedos em geral, colecionáveis e educativos, jogos, pelúcias, artigos para festas, fantasias, etc. Somente em 2016, o mercado brasileiro contou com mais de 9.000 modelos de brinquedos.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Em comparação a outros mercados, o Brasil é um campo fértil para investimentos e crescimento. Na Europa as crianças são presenteadas com, aproximadamente, 30 brinquedos per capita no ano; nos EUA são 28 presentes, enquanto os brasileiros dão às crianças, apenas, 6 brinquedos por ano, levando em conta a média entre as aquelas que ganham e as que não. Dessa forma, somos um mercado promissor.

 

Considerando essas importantes informações, vê-se o quanto a criança é alvo de um mercado ávido pelo aumento das curvas de vendas.

E entre uma curva e outra, é nosso dever saber avaliar o que realmente é um bom brinquedo para as crianças.

Pare e pense nestas perguntas:

É preciso brinquedo prá brincar?

Existe brincadeira sem brinquedo?

O que as crianças buscam ao brincar?  

Diante de um brinquedo devemos nos perguntar: este brinquedo é capaz de mover interiormente a criança?

 

BRINCAR – MOTOR QUE MOVE A CRIANÇA

É importante compreender o brincar como um motor que move a infância. Brincar brota da alma infantil. É um processo de ativação da criança. E como todo processo, é algo vivo, que se manifesta numa sucessão de etapas e se expressa em gestos e formas maleáveis, moldáveis, permitindo a criança criar, construir, desmanchar e transformar.

As crianças tem seus próprios interesses e narrativas pessoais, estão imbuídas de desejos que necessitam de liberdade de criação e expressão. Liberdade de decidir como brincar e com o que brincar.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Imagem: Raphael Bernadelli

A criança é o centro do brincar e não o brinquedo em si. A potência encontra-se na criança e não no objeto. Sendo assim, brinquedos e brincadeiras são partes de uma construção autoral, elaborada por meio de um processo espontâneo e autêntico de cada criança.

A indústria de brinquedos despeja no mercado todos os anos exatamente o oposto ao que acontece no processo do brincar infantil. Susan Linn, psicóloga norte-americana, autora do livro  ‘Crianças do consumo: a infância roubada’, diz que “uma boa brincadeira é 90% a criança e 10% brinquedo”. Os brinquedos industrializados, os brinquedos prontos, oferecidos no mercado hoje, fazem exatamente o inverso, sobrepõem-se a potência da criança.

 

 

 

PARÂMETROS PARA AVALIAÇÃO DE UM BOM BRINQUEDO

Um bom brinquedo é aquele que permite que a criança seja ativa e não mera expectadora ou executora frente à ele.

Um bom brinquedo é aquele que propicia que a imaginação da criança voe alto, que coloca corpo e alma em movimento, que amplia as experiências sensoriais.

Um bom brinquedo é aquele que abre possibilidades de atuação da criança, seja em sua criação, construção, complementação, ou transformação.

Um bom brinquedo permite a criança sonhar e criar, imaginar e fazer. É inventado a partir do corpo e das mãos da própria criança.

A natureza da criança é curiosa. Criança gosta de investigar, explorar, descobrir, até mesmo transgredir.

Minha mãe conta que certa vez meu irmão, 2 anos mais novo que eu, ganhou um robô que se movimentava, acendia luzes e emitia sons. Não demorou muito para ela vê-lo sentado no chão martelando todo o brinquedo para descobrir o que tinha dentro dele que fazia com que ele se mexesse, fosse luminoso e emitisse sons. Faz parte da criança essa vontade de descobrir o que está por trás, dentro das coisas, saber como as coisas são feitas, como funcionam.

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

É comum ouvirmos histórias de crianças que ao ganhar um brinquedo novo se interessam mais pela caixa do que pelo brinquedo. Há também relatos de crianças que brincam 5 minutinhos com o brinquedo que acabaram de ganhar e logo perdem o interesse e correm para brincar com as panelas, colheres de pau, construir cabanas, etc. Por que isso acontece?

É preciso entender o ciclo do brincar. Brincar acontece em etapas, é processo, como já mencionado no artigo Processos de vida e a infância , leia.

No filme ‘Tarja Branca’, o documentarista David Reeks em seu depoimento, fala sobre a liberdade de criação da criança,  e explica que primeiro a criança pensa em brincar com algo, ela deseja brincar de determinada forma. A partir dessa ideia, ela elabora maneiras possíveis de realizar a brincadeira, buscando reunir e compor materiais para alcançar seu objetivo. Então ela mesma constrói seu brinquedo e com o brinquedo pronto ela brinca, fechando assim o ciclo.

Rubem Alves em suas memórias de infância contadas no livro ‘Quando eu era menino’, fala que “fazer brinquedos era a parte mais divertida do brincar”.

O brinquedo pronto entregue nas mãos da criança, causa ruptura no ciclo do brincar, indo direto para a etapa final do processo. Reeks acrescenta que  “a criança pega o brinquedo industrializado e logo se desinteressa por ele, e passa prá outro, ela não se vincula ao brinquedo porque não foi ativa no processo criador”.

É preciso entender que os brinquedos prontos eliminam o elemento de criação e construção, e isso não alimenta a alma da criança. É como se ela comesse apenas carboidratos simples, que são logo digeridos pelo organismo, provocando em pouco tempo fome de novo. Isso gera um vazio na criança, uma sensação constante de insatisfação, e até mesmo frustração, levando a criança a querer e pedir sempre mais.

O brinquedo torna-se um bom brinquedo quando nutri a alma da criança e exercita sua imaginação criadora.

 

LEIA TAMBÉM: UM BRINQUEDO CHAMADO NATUREZA

 

Quanto menos estruturado e cheio de detalhes for o brinquedo, mais exigirá da criança e permitirá o uso da imaginação e criatividade. Quanto mais simples ele for, maior a liberdade da criança em transformá-lo em outra coisa de acordo com o enredo da sua brincadeira.

Brinquedos industrializados tem função específica. Normalmente são de plástico, sem cheiro, frios e lisos ao tato. São leves – possuem tamanho desproporcional ao peso, de cores  fortes e antinaturais. Características que induzem a criança a falsas sensações.

E mais, esse tipo de brinquedo, e aqui estão inclusos os brinquedos digitais, criam uma situação de passividade na criança, provocam uma atrofia psíquica, um empreguiçamento e empobrecimento da vida interior da criança.

Por fim, brinquedo bom é aquele que funciona e é movido pela energia da própria criança, por sua imaginação e capacidade criadora. É a força interior da criança que coloca em movimento objetos, que reúne materiais e compõem um todo repleto de sentido, produzindo alegria.  Essa mesma energia movimenta também o corpo da criança promovendo seu desenvolvimento e gerando saúde. 

O que é um bom brinquedo - Infância e consumo

Te convido a olhar seu entorno e perceber a quantidade de materiais do cotidiano que podem virar brinquedos nas mãos das crianças – caixas de papelão, rolhas, caixinhas de fósforos, etc.

Te convido a observar a natureza num passeio ao parque e descobrir o lúdico ao alcance das mãos – gravetos, sementes, folhas, pedrinhas, etc, que magicamente podem se transformar em brincadeiras divertidas.

Te convido a romper paradigmas, e repensar o consumismo na infância.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

PÉS DESCALÇOS NA INFÂNCIA

Um estudo realizado pela Universidade Complutense de Madri sobre a importância de deixar os bebês com os pés descalços apontou inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil.

Educando Tudo Muda fez este infográfico para mostrar os pontos principais apresentados pelo estudo. Veja:

 Pés descalços

BENEFÍCIOS DE DEIXAR OS PÉS DESCALÇOS

Segundo a medicina chinesa, na sola dos pés estão localizados pontos que correspondem aos órgãos vitais e regiões de todo corpo – como um mapa em miniatura do organismo humano.  De pés descalços ficamos em contato direto com a energia natural da terra. Todo o corpo se ativa, desperta, e se enche de energia, promovendo o reequilíbrio do organismo.  Além disso, os pés recebem uma vigorosa massagem natural que ajuda a eliminar algumas toxinas.

É importante que desde bebês as crianças sejam incentivadas a andar descalças e caminhar por terrenos irregulares. Pela experimentação e exposição a pequenos desafios, a criança aos poucos adquire segurança. O contato total dos pés com o chão, aumenta a superfície de apoio, contribuindo para a estabilidade corporal e desenvolvimento do equilíbrio.

A musculatura dos pés e pernas são fortalecidas ao andar descalço, o que facilita os movimentos. Andar, correr, saltar, ganham mais desenvoltura.

Descalços, o sentido do tato é estimulado. Não podemos nos esquecer que o tato é tão importante nas mãos quanto nos pés. Portanto, incentive a criança a pisar em diferentes texturas – grama, folhas secas, areia, pedrinhas, lama, etc.

Quer mais benefícios? Andar descalço estimula a formação correta do arco plantar, prevenindo o chamado “pé chato”. E se você ainda não se convenceu, vai aí a última dica: pés descalços são pés mais arejados e secos, menos suados e menos propensos a infecções por fungos.

Seu filho crescerá mais feliz e saudável se você permitir que ele fique descalço por mais tempo. Então fora sapatos!

abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

Crédito 1ª foto do infográfico: Raphael Bernadelli